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São Simeão, o EstilitaPor: Mor Shemun Destune
Nascido em 390 AD (Anno Domini ou ano do Senhor) faleceu em 2 de setembro de 459, filho de João e Marta. Sua autenticidade como santo da nossa Igreja é comprovada por sua defesa da tese miafisista através de suas cartas hoje em poder do Museu Britânico onde condena o resultado do Concílio de Calcedônia (451 AD).
É bom lembrar que as autenticas Igrejas de Antioquia e Alexandria são chamadas de pré-caledonianas justamente por não aceitar o Concílio de Calcedônia. A palavra “estuno” em aramaico quer dizer “coluna” ou “suporte”, o mesmo valendo para a palavra “estilita” em grego é “pilar”, portanto, Mor Shemun Destune é São Simão da Coluna ou Pilar. Também é preciso lembrar que São Simão o Estilita foi chamado de São Simão o Estilita Ancião, pois, depois dele surgiram outros estilitas como Simão o Estilita Jovem, Simão o Estilita III e Simão o Estilita de Lesbos. Simão o Estilita Ancião era filho de pastores e nasceu em Sisan ou Sis atualmente corresponde à cidade turca de Kozan na província de Adana. Sis ao seu tempo era a província romana de Cilicia e na divisão do império romano em 395 AD se tornou parte do império romano de Oriente. Naquela região o cristianismo propagou e fortaleceu-se rapidamente. Façamos aqui um parêntese voltando-nos para os nossos dias, já que falamos de Adana, onde depois do Genocídio de 1915 conhecido como SAYFO, a nossa comunidade Sirian Ortodoxa de Nova Jersey nos EUA, fundara a Assyrian National Federation (Tau, Mim, Semcad) reuniu fundos para subsidiar os trabalhos de amparo aos órfãos e crianças da nossa comunidade, criando o Orfanato-escola em Adana e depois transferida para Beirute no Líbano onde funciona até os nossos dias. Fato digno de nota, por ser a comunidade de Nova Jersey nova e não dispondo de recursos, cada membro da comunidade jejuava por um dia na semana e o valor equivalente era arrecadado para manter o Orfanato-escola. Meu pai, o Malfono Ibrahim Gabriel Sowmy assim como seu irmão o Monge Fetros Sowmy fizera parte do grupo de órfãos do Genocídio. Outras crianças à época que podemos citar ter frequentado a escola e depois vieram ao Brasil são os irmãos Yacoub e Faride Abdala e o Malfono Denho (Ghattas) Makdasi Elias que aparecem na foto, mas que não consigo ora distinguir. Voltando ao nosso São Simão o Estilita, nossa Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, cita como sua verdadeira data de nascimento em 392 AD e conta que sua mãe antes de o conceber viu em sonho São João Batista anunciando-lhe sua concepção e no que se tornaria seu filho. Ainda segundo a “História dos Mártires, Santos e Pais da Igreja”, São Simão ainda muito jovem enquanto pastoreava suas ovelhas teve uma visão onde um anjo o convocou, e, então, aos 16 anos dispôs de todas as propriedades e pertences que sua tia lhe confiara, distribuindo o fruto entre os pobres e necessitados, e, o que sobrou dos seus pertences doou ao Mosteiro de Eubona em Tal’ Ada localizado entre Antioquia e Alepo; em seguida ele e seu irmão entraram para o mosteiro. Segundo Teodoreto, bispo de Cyrhus, Simão cresceu no zelo pelo cristianismo desde os 13 anos de idade quando lia sobre as Beatitudes. Entrou juntamente com seu irmão para o mosteiro aos 16 anos e era tão dedicado à fé que entregou seu corpo totalmente a Deus. Desde o princípio dedicou-se à prática da austeridade extrema que aos olhos dos outros era visto como extravagancia e seus irmãos monges julgavam-no inadequado a qualquer tipo de convívio comunitária. Segundo a tradição da Igreja depois de certo tempo no mosteiro, cavou um buraco no jardim de mais ou menos 150 centímetros de profundidade e lá ficava depois das orações da meia noite. Para ficar em vigília permanente e adoração contínua, pendurava uma pedra no pescoço e tentava se equilibrar sobre um cilindro, tudo isso para não dormir. Seus colegas eremitas, enciumados da sua dedicação e persistência, lançaram boatos a seu respeito e então ele decidiu sair do mosteiro. Segundo a história, saindo do mosteiro ficou recluso num casebre próximo do mosteiro lá permanecendo por um ano e meio; quando da Quaresma não ingeria nenhum alimento ou bebida e quando saiu do casebre seu aparecimento foi considerado um milagre. Quando resolveu distanciar-se do mosteiro, o abade quis lhe dar quatro moedas de ouro, mas, o santo recusou dizendo: “suas orações guardem o meu caminho” e seguiu para Telanissa, atualmente Tal Ada na Síria, sentou debaixo duma árvore e orou: “Deus, meu Senhor, por tua vontade proteja-me de todas as adversidades, ajuda e guia-me para alcançar a abobada celestial. ” A partir daí passou a permanecer em pé continuamente enquanto seus membros o suportassem. Simão na verdade buscava isolar-se da sociedade, mas por mais que persistisse sua fama extrapolava a região escolhida, buscou então isolar-se sobre um pilar no topo do qual havia uma pequena plataforma, conta a tradição que seu primeiro pilar tinha mais ou menos um metro e meio de altura e o último chegaria a um pouco mais de dois metros. As plataformas de ambos teriam algo como um metro quadrado e acredita-se que o imperador mandara construir um muro duplo para protegê-lo do assédio dos fiéis e um balaústre para protege-lo das intempéries climáticas. Quando os monges do deserto, mais velhos souberam da sua atitude resolveram convoca-lo pensando que se ele não descesse do pilar era por arrogância, mas se viesse até eles, seria por humildade. Simão atendeu ao chamado dos monges e eles reconheceram sua humildade e sabedoria. Alguns registros da Igreja falam que Simão suportou o calor de mais de trinta verões e invernos em diferentes posturas de oração e adoração. Às vezes orava perfilado com os braços em forma de cruz e a outra mais citada era a prática de ajoelhar-se até a cabeça tocar o chão, um fiel visitante desistiu de contar as genuflexões quando chegou a doze mil e quarenta e quatro vezes. Esquelético e talvez com úlceras pelo corpo podem ter acelerado sua morte. Paciente ao extremo, recebia visitas ilustres assim como de fiéis que buscavam conselho, benção e cura. Toda tarde atendia do alto da sua coluna todos os que o procuravam. Sua pregação contínua, plena de bom senso e sem fanatismo cativou muitos dignitários da Igreja e atraiu a atenção de imperadores. O imperador Teodósio II e sua esposa Aelia Eudóxia respeitavam o santo e ouviam seus conselhos. O imperador Leo I considerou muito seus conselhos quando da abertura do Concílio de Calcedônia, mas depois, o Santo condenou o parecer final deste Concílio. Por praticamente 40 anos orou sobre o pilar construído no topo de uma montanha dizendo: “Senhor, meu Deus, não permita que mãos humanas sejam necessárias para me ajudar, não permita que eu desça deste pilar para ver os homens na terra. Ajuda-me a encerrar minha vida sobre este pilar do qual subirei para a tua graça, por tua vontade, acompanha a alma deste teu servo deste lugar”. O demônio enciumado dos bons atos do santo provocou-o com tentações e Simão acabou desenvolvendo úlceras pelo corpo causando-lhe nove meses de contínuo sofrimento. O imperador Teodósio queria notícias diárias do santo e mandou três bispos para demove-lo da sua persistência em ficar no topo da coluna. O santo orou a Cristo para supri-lo de água e uma fonte jorrou do pé da coluna. Os fiéis alimentavam-no com pão e leite diariamente. São Simão o estilita pregou para muitos, ensinou e trouxe muitos para o Caminho da Verdade, escreveu cartas e instruções a bispos, igrejas e fiéis. O patriarca Domininos (441 – 448) de Antioquia visitou o monge asceta e celebrou a Divina Liturgia sobre o pilar. Numa das vezes que Simão adoeceu, Teodósio enviou três bispos para rogar ao santo descer do pilar e receber atendimento médico, mas, Simão preferiu confiar sua cura às mãos de Deus e acabou se recuperando. O muro construído em volta do pilar era para evitar o assédio de romeiros que perturbavam sua concentração durante as orações, assim os visitantes só poderiam vê-lo ou pedir-lhe algo no período reservado a esta atividade. Até sua mãe não podia trespassar o muro, e ele disse-lhe: ”se formos dignos, nos veremos na vida do porvir. “ Ela acatou seu pedido, abraçou também a vida monástica de silêncio e oração, quando faleceu, Simão pediu para vê-la e despediu-se dela respeitosamente. No dia 2 de setembro de 459 um discípulo do santo encontrou-o com o corpo reclinado em aração já morto. O patriarca Martyrios de Antioquia celebrou seu funeral diante de grande multidão e enterrou-o próximo do pilar. Logo surgiu uma discussão sobre quem deveria guardar as relíquias do santo, Antioquia ou Constantinopla, definiu-se por Antioquia como destino das relíquias para proteger a cidade sem muros. Em volta da Coluna de Simão foram construídas quatro basílicas que representavam os quatro pontos cardeais – Norte, Sul, Leste, Oeste. As basílicas foram construídas a partir de um pátio octogonal e no seu centro é que ficou a coluna. Esta edificação hoje em ruínas fica a trinta quilômetros de Alepo e era considerado Patrimônio da Humanidade.
Mesmo não buscando glória e reconhecimento terreno, a fama de São Simão o Estilita alcançou nossos dias atravessando dois milênios. O capitão e os marujos de Moby Dick de Herman Melville e um personagem que vive sobre um pilar na estória de Mark Twain – Um ianque na corte do rei Artur – são inspirados na figura do Estilita.
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