Festa da «Exaltação Universal da Santa Venerável e Vivificante Cruz» (Modo Próprio)
Comemoração de São Sofrônio, bispo de Ibéria.
No Ofício de Vésperas:
Leituras bíblicas:
- Ex 15, 22-16, 1 (1ª leitura);
- Pr 3, 11-18 (2ª leitura);
- Is 60, 11-16 (3ª leitura).
No Orthros (Matinas):
Evangelho
Santo Evangelho segundo o Evangelista São JOÃO [12: 28-36].
aquele tempo, disse Jesus: 28«Pai, glorifica o teu nome». Veio, então, uma voz do céu: «Eu o glorifiquei e o glorificarei, novamente!» 29A multidão, que ali estava e ouvira, dizia ter sido um trovão. Outros Diziam: «Um anjo falou-lhe». 30Jesus respondeu: «Essa voz não ressoou para mim, mas para vós. 31É agora o julgamento deste mundo, agora o príncipe deste mundo será lançado abaixo; 32e, quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim». 33Assim falava para indicar de que. morte deveria morrer. 34Respondeu-lhe a multidão: «Sabemos, pela Lei, que o Cristo permanecerá para sempre. Como dizes: ‘É preciso que o Filho do Homem seja elevado’? Quem é esse Filho do Homem?» 35Jesus lhes disse: «Por pouco tempo a luz está entre vós. Caminhai; 36enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apreendam: quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para vos tornardes filhos da luz». Após ter dito isso, Jesus retirou-se e se ocultou deles.
Na Divina Liturgia:
Primeira Antífona
Vers. 1: Meu Deus, meu Deus, responda-me; por que me abandonaste?
Vers. 2: Longe de minha salvação a voz dos meus rugidos!
Vers. 3: Meu Deus, de dia eu clamo a Ti, e não me respondes!
Vers. 4: Mas Tu és o Santo que habitas nos louvores de Israel!
Glória… Agora e sempre….
Στίχ. α´. Στίχ. α´. Στίχος α’. Ὁ Θεός, ὁ Θεός μου πρόσχες μοι, ἵνα τὶ ἐγκατέλιπές με;
Στίχ. β’. Mακρὰν ἀπὸ τῆς σωτηρίας μου οἱ λόγοι τῶν παραπτωμάτων μου.
Στίχ. γ’. Ὁ Θεός μου κεκράξομαι ἡμέρας, καὶ οὐκ εἰσακούσῃ.
Στίχ. δ’. Σὺ δὲ ἐν Ἁγίῳ κατοικεῖς, ὁ ἔπαινος τοῦ Ἰσραήλ.
Δόξα πατρὶ…Καὶ νῦν.
Segunda Antífona
Vers. 1: Vers. 1: Por que nos rejeitas, ó Deus, para sempre?
Vers. 2: Recorda-te de tua assembleia que adquiriste desde a origem.
Vers. 3: Deste Monte Sião em que habitas.
Vers. 4: Deus é nosso Rei desde o princípio, autor da salvação no meio da terra.
Glória… Agora e sempre… Ó Filho Unigênito…
Στίχ. α´. Στίχος α’. Ἳνα τὶ, ὁ Θεὸς, ἀπώσω εἰς τέλος;
Στίχ. β’. Mνήσθητι τῆς συναγωγῆς σου, ἧς ἐκτήσω ἀπ’ ἀρχῆς.
Στίχ. γ’. Ὄρος Σιὼν τοῦτο, ὃ κατεσκήνωσας ἐν αὐτῷ.
Στίχ. δ’. Ὁ δὲ Θεὸς Βασιλεὺς ἡμῶν πρὸ αἰώνων εἰργάσατο σωτηρίαν ἐν μέσῳ τῆς γῆς.
Δόξα πατρὶ… Καὶ νῦν…
Δόξα Πατρὶ… Καὶ νῦν… Ὁ μονογενὴς…
Terceira Antífona
Vers. 1: O Senhor reina, tremam os povos!
Στίχ. α´. Ὁ Κύριος ἐβασίλευσεν, ὀργιζέσθωσαν λαοί.
Apolitíkion da Festa (Modo 4º)
Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança. Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal e guarda o teu rebanho pela tua Cruz.
Σῶσον, Κύριε, τὸν λαόν σου, καὶ εὐλόγησον τὴν κληρονομίαν σου, νίκας τοῖς βασιλεῦσι κατὰ βαρβάρων δωρούμενος, καὶ τὸ σὸν φυλάττων, διὰ τοῦ Σταυροῦ σου πολίτευμα.
E segue, alternando com o Apolitíkion da Festa.
Vers. 2: Grande é o Senhor em Sião.
Vers. 3: Exaltem teu grande e venerável nome!
Στίχ. β’. Κύριος ἐν Σιών μέγας καί ὑψηλός ἐστι.
Στίχ. γ’. Ἐξομολογησάσθωσαν τῷ ὀνόματί σου τῷ μεγάλῳ.
Issodikón (Modo 2°)
Exaltai ao Senhor, nosso Deus e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés porque Ele é Santo. Salva-nos, ó Filho de Deus, Tu que foste crucificado na carne…
…a nós, que a Ti cantamos: aleluia!
Ὑψοῦτε Κύριον τὸν Θεὸν ἡμῶν, καὶ προσκυνεῖτε τῷ ὑποποδίῳ τῶν ποδῶν αὐτοῦ, ὅτι ἅγιος ἐστι. Σῶσον ἡμᾶς Υἱὲ Θεοῦ, ὁ σαρκὶ σταυρωθείς,…
…ψάλλοντάς σοι, Ἀλληλούϊα.
Kondákion (Modo 4º)
Tu, ó Cristo Deus, que voluntariamente, foste erguido na Cruz, tem compaixão do povo que traz o teu Nome. Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja, e concede-lhe a vitória sobre o mal. Que tua aliança seja para nós uma arma de paz e um troféu de vitória!
Ὁ ὑψωθεὶς ἐν τῷ Σταυρῷ ἑκουσίως, τῇ ἐπωνύμῳ σου καινῇ πολιτείᾳ, τοὺς οἰκτιρμούς σου δώρησαι, Χριστὲ ὁ Θεός. Εὔφρανον ἐν τῇ δυνάμει σου, τοὺς πιστοὺς βασιλεῖς ἡμῶν, νίκας χορηγῶν αὐτοῖς, κατὰ τῶν πολεμίων. Tὴν συμμαχίαν ἔχοιεν τὴν σήν, ὅπλον εἰρήνης, ἀήττητον τρόπαιον.
Triságion
Prostramo-nos ante a tua Cruz, ó Soberano, glorificando a tua santa Ressurreição.
Τὸν Σταυρόν σου προσκυνοῦμεν Δέσποτα, καὶ τὴν ἁγίαν σου Ἀνάστασιν δοξάζομεν.
Prokímenon (Modo Grave)
Refrão: Exaltai ao Senhor, nosso Deus.
Vers.: O Senhor reina, alegrem-se os povos.
Ὑψοῦτε Κύριον τὸν Θεὸν ἡμῶν.
Στίχ. Ὁ Κύριος ἐβασίλευσεν, ὀργιζέσθωσαν λαοί.
Epístola (Apóstolo)
Primeira Epístola do Apóstolo São Paulo aos CORÍNTIOS [1: 18-24]
rmãos, 18Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus. 19Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes. 20Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste século? Deus não tornou louca a sabedoria deste século? 21Com efeito, visto que o mundo por meio da sabedoria não reconheceu a Deus na sabedoria de Deus, aprouve a Deus pela loucura da pregação salvar aqueles que creem. 22Os judeus pedem sinais, e os gregos andam em busca de sabedoria; 23nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura,24mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.
Aleluia (Modo 1º)
Vers. 1: Exaltei um eleito dentre o povo (Sl 89:20).
Vers.: Tu és, Ó Deus, meu Rei desde o princípio, autor de grandes feitos em meio a terra.
Στίχ. αʹ. Μνήσθητι τῆς συαγωγῆς σου, ἧς ἐκτήσω ἀπ’ ἀρχῆς.
Στίχ. βʹ. Ὁ δὲ Θεὸς βασιλεὺς ἡμῶν πρὸ αἰώνων, εἰργάσατο σωτηρίαν ἐν μέσῳ τῆς γῆς.
Evangelho
Santo Evangelho segundo o Evangelista São JOÃO [19: 6-11ª, 13-20, 25-28ª; 30-35ª].
aquele tempo, 6quando os chefes dos sacerdotes e os guardas viram Jesus, gritaram: «Crucifica-o! Crucifica-o!» Disse-lhes Pilatos: «Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu não encontro nele motivo de condenação». 7Os judeus responderam-lhe: «Nós temos uma Lei e, conforme essa Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus». 8Quando Pilatos ouviu essa palavra, ficou ainda mais aterrado. 9Tornando a entrar no pretório, disse a Jesus: «De onde és tu?» Mas Jesus não lhe deu resposta. 10Disse-lhe, então, Pilatos: «Não me respondes? Não sabes que eu tenho poder para te libertar e poder para te crucificar?» 11Respondeú-lhe Jesus: «Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto; por isso, quem a ti me entregou tem maior pecado». 13Ouvindo tais palavras, Pilatos levou Jesus para fora, fê-lo sentar-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, em hebraico Gábata. 14Era o dia da preparação da Páscoa; perto da sexta hora! Disse Pilatos aos judeus: «Eis o vosso rei!» 15Eles gritavam: «A morte! A morte! Crucifica-o!» Disse-lhes Pilatos: «Crucificarei o vosso rei?!» Os chefes dos sacerdotes responderam: «Não temos outro rei a não ser César!» 16Então Pilatos o entregou para ser crucificado. Então eles tomaram a Jesus. 17E ele saiu, carregando a sua cruz, e chegou ao lugar chamado «Lugar da Caveira» – em hebraico, chamado Gólgota – 18onde o crucificaram; e, com ele, dois outros: um de cada lado e Jesus no meio. 18Pilatos redigiu também um letreiro e o fez colocar sobre a cruz; nele estava escrito: «Jesus Nazareu, o rei dos judeus». 20Esse letreiro, muitos judeus o leram, porque o lugar onde Jesus fora crucificado era próximo da cidade, e estava escrito em hebraico, latim e grego. 25Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. 26Jesus, então, vendo a mãe e, perto dela o discípulo a quem amava, disse à mãe: «Mulher, eis teu filho!» 27Depois disse ao discípulo: «Eis tua mãe!» E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa. 28Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, disse, para que se cumprisse a Escritura até o fim: «Tenho sede!» Estava ali um vaso cheio de vinagre. Fixando, então, uma esponja embebida de vinagre num ramo de hissopo, levaram-na à sua boca. 30Quando Jesus tomou o vinagre, disse «Está consumado!» E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Hirmós (Modo Pl.4°)
Tu és, ó Theotokos, o paraíso místico; pois sem ser cultivada, produziste Cristo que plantou a árvore da Cruz. Por isso, agora O adoramos crucificado e a ti exaltamos.
Μυστικὸς εἶ Θεοτόκε Παράδεισος, ἀγεωργήτως βλαστήσασα Χριστόν, ὑφ’ οὗ τὸ τοῦ Σταυροῦ ζωηφόρον ἐν γῇ, πεφυτούργηται δένδρον. Διὸ νῦν ὑψουμένου προσκυνοῦντες αὐτόν, σὲ μεγαλύνομεν.
Kinonikón
Gravada está sobre nós, Senhor, a luz da tua face. Aleluia!
Ἐσημειώθη ἐφ’ ἡμᾶς τὸ φῶς τοῦ προσώπου σου Κύριε. Ἀλληλούϊα.
Obs.:
- Em vez de «… Vimos a verdadeira luz» canta-se o Apolitíkion da festa.
- Após a Divina Liturgia, procissão e cerimônia da Exaltação da Santa Cruz.
- Encerramento da festa no dia 21.
COMPÊNDIO COM OS TROPÁRIOS, AS ANTÍFONAS E O RITO DA PROCISSÃO AO FINAL DA DIVINA LITURGIA, EM GREGO-PORTUGUÊS.
GUIA LITÚRGICO DA FESTA
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pregação da Cruz é uma necessidade para os que se perdem; mas para os que se salvam – para nós – é força de Deus. Diz a Escritura:
«Destruirei a sabedoria dos sábios, e inutilizarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde o douto? Onde o sofista deste mundo? De fato, como o mundo através de sua própria sabedoria não conheceu Deus na divina sabedoria, quis Deus salvar os crentes através da necessidade da pregação.
Assim, enquanto os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado: escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas para os chamados, tanto judeus quanto gregos, um Cristo, força de Deus e sabedoria de Deus». (1)
As palavras do apóstolo Paulo, lidas na solenidade da Exaltação da veneranda e santificadora Cruz, marcam o sentido inequívoco que, desde o princípio, tivera para os cristãos o patíbulo dos malfeitores, que era a cruz. Por que, pois, estranhar-se que a Igreja a tenha considerado objeto de culto particular?
Romano o Melode, imaginando um diálogo entre o diabo e o inferno, põe na boca do primeiro as palavras:
Belial, é tempo de abrires o ouvido. A hora presente far-te-á ver o império da Cruz, e o grande poder do Crucificado. Para ti, a Cruz não é senão loucura; porém toda a Criação a considera como um trono desde que, nela cravado, escuta Cristo como juiz em atividade (2).
A forma de cruz das igrejas antigas, inclusive hoje nas de tradição bizantina, evoca a virtude ou força da ação redentora desse sinal.
A Cruz defende a todos do maligno e de seus ataques. Os marcados com o sinal de Cristo têm a esperança confiante de entrar no paraíso (3).
Nas igrejas bizantinas, atrás do altar e no ponto mais alto do Iconostase, destaca-se a Crucifixão (4) com o objetivo de que, de qualquer ponto do templo e a todo momento, possa atrair o olhar dos fiéis para a Árvore da Vida, plantada no novo paraíso universal, frondosa e muito mais honorável que a do Éden (5).
De modo que, instruídos sobre a adoração da Cruz, feita de matéria comum, rendamos nossa adoração, não à matéria, mas àquele nela crucificado (6).
Após ter degustado a morte sob a árvore proibida, Adão volta à vida sob a árvore da Cruz. Pode, Senhor, de agora em diante saborear de novo as delícias do paraíso.
Em Adão está representada toda a linguagem humana, pelo que, também nós, gozamos de idêntico benefício, pois, como outro paraíso, a Igreja possui atualmente uma árvore da vida: a Cruz vivificadora de Cristo. Saboreando seu fruto, alcançamos a imortalidade (7).
Além dessas citações, por assim dizer externas, são vários os Ofícios que recordam a importância da Cruz na economia de nossa salvação.
O ciclo litúrgico semanal dedica-lhe a Sexta-feira; e cada dia, na liturgia das Horas, a Hora Nona, que foi a da morte na Cruz (8).
Encontramos, além disso, no calendário, algumas festas dedicadas à Cruz nas quais se celebra o mistério: umas são móveis, outras fixas (9)
As festas móveis são:
a) A grande Sexta-Feira Santa. No Ofício da Paixão, e cantando o hino:
Hoje foi colocado no lenho
aquele que sustém a terra sobre as águas.
É coroado de espinhos o Rei dos anjos.
Púrpura injuriosa é a veste
de quem cobrira o céu de nuvens.
Recebe cusparadas
aquele que no rio Jordão
libertou Adão de seu pecado.
Cravado é o Esposo da Igreja,
transpassado pela lança o Filho da Virgem.
Teus sofrimentos, Cristo, hoje veneramos;
mostra-nos também a glória de tua ressurreição (10).
Leva-se processionalmente a Cruz, depositando-a depois no centro da nave para que possa ser venerada pelo clero e o povo fiel (11).
b) Terceiro Domingo da Quaresma. Denomina-se, por isso, Domingo da Adoração da Cruz. Trata-se de uma festa tipicamente constantinopolitana, que teve origem no translado de uma relíquia insigne da Cruz para a capital do Império. Segundo alguns liturgistas, tal festa tinha nascido relacionada com a reposição da verdadeira Cruz de Jerusalém pelo imperador Heráclio, no dia 21 de março de 631, após tê-la resgatado dos persas, que a tinham roubado como despojo de guerra (12).
A cerimônia litúrgica segue o seguinte programa: no sábado, após as Vésperas, translada-se a relíquia da Santa Cruz para o altar, onde fica exposta durante toda a noite. Os cânticos de Matinas compostos por Teodoro Studita (758-826), (13) vão expressando os temas da festa:
Dia de adoração da Santa Cruz!
Todos se acercam para adorá-la!
Vede-a exposta perante nós:
brilha com os esplendores
da ressurreição de Cristo.
Vamos, pois, com alegria espiritual,
render-lhe veneração.
Terminadas as Matinas, o celebrante faz uma procissão na própria igreja, carregando a Cruz no alto para colocá-la finalmente na mesa diante do Iconostase.
Vão todos se aproximando para adorar a sagrada relíquia, enquanto cantam:
Tua Cruz, Senhor, adoramos
e proclamamos tua santa ressurreição.
Salva teu povo, Senhor,
e abençoa tua herança;
concede aos governantes (14)
vitória sobre os bárbaros;
e dá-nos, por tua Cruz, parte em teu reino.
A homilética sobre essa festividade insiste no seguinte:
Hoje, mostra-se a Igreja de Cristo como novo paraíso: ao expor o santo madeiro da Cruz, antecipa a Paixão e a Ressurreição (15).
As duas solenidades móveis vêm coroadas de outras três fixas, com a ordem seguinte, no calendário bizantino: (16)
a) A Exaltação (17) universal da veneranda e vivificadora Cruz, que se celebra no dia 14 de setembro e da qual falaremos mais extensamente.
b) A memória da aparição celeste do sinal da Cruz, cuja celebração tem lugar no dia 7 de maio. Comemora-se, então, a aparição, no céu de Jerusalém, do sinal da Cruz quando era imperador Constâncio, filho de Constantino o Grande, durante o episcopado de São Cirilo de Jerusalém.
A aparição deu-se precisamente no dia 7 de maio de 351, na terça-feira antes da Ascensão, pelas nove horas da manhã: foi visível durante muitas horas e para todos. Marcava no céu o espaço compreendido entre o Gólgota e o Monte das Oliveiras (18).
O caráter protetor e salvífico da Cruz, como determinante dessa festividade, vem sintetizá-lo a oração própria desse dia que assim diz:
Abre-me os lábios, ó Rei dos séculos, ilumina minha mente e meu espírito, e santifica minha alma para poder, ó Verbo, louvar tua Cruz venerada; envia teu Espírito e instrui-me, de sorte que possa exclamar com amor:
Salve, ó Cruz, glória do universo!
Salve, ó Cruz, fortaleza da Igreja!
Salve, inexpugnável bastião dos sacerdotes!
Salve, diadema dos reis!
Salve cetro do soberano Criador de todas as coisas!
Salve, ó Cruz, na qual Cristo aceitou padecer e morrer!
Salve, grande consolo dos aflitos, arma invencível no meio da luta!
Salve, Cruz, ornato dos anjos e proteção dos fiéis!
Salve, ó Cruz, pela qual foi o inferno derrotado!
Salve, ó Cruz, pela qual fomos redimidos!
Salve, lenho bem-aventurado! (19)
c) A procissão da preciosa e vivificadora Cruz, que se celebra no dia primeiro de agosto. Tal como a que coincide com o Terceiro Domingo da Quaresma, também essa festa teve origem em Constantinopla. A relíquia da Cruz ia expondo-se em diversas igrejas, retomando ao palácio imperial a 14 de agosto; longa procissão estacional, pois, com demoradas estações nas várias igrejas. A finalidade era conjurar as enfermidades motivadas pelos calores estivais, por um lado, e santificar, por outro, as ruas da “cidade construída por Deus” (20)
Um dos hinos da festa nos manifesta a profunda veneração de que era objeto nesse dia a Cruz do Senhor, assim como a confiança depositada nela:
Veneremos a Cruz preciosa,
remédio universal e fonte de santidade.
É lenitivo das dores, desterra a enfermidade
e livra de todo sofrimento os enfermos.
E agora, após breve análise sobre as festas litúrgicas, nas quais as igrejas de tradição bizantina dedicam especial atenção à Cruz, detenhamo-nos para refletir sobre a festividade da Exaltação:
A festa da “Exaltação Universal da preciosa e vivificadora Cruz” surge em Jerusalém. Lê-se em um discurso do monge Alexandre (21) sobre essa festividade que a imperatriz:
Helena – mãe de Constantino, o Grande – assegurava ter tido uma visão celeste, na qual se ordenava ir a Jerusalém para descobrir os santos lugares durante tanto tempo ignorados (.. .). Ante a dúvida e as vacilações de não poucos, exorta todos a uma fervorosa oração. Logo vem a ser descoberto por aquele bispo o lugar da divina Paixão, onde se tinha colocado a estátua da impuríssima Vênus. Com a autoridade que lhe outorga seu cargo, a imperatriz mandou, então, destruir o templo do demônio. Feito isso, de imediato descobriu-se o sepulcro de Jesus Cristo, aparecendo, pouco depois, três cruzes. Após busca diligente, encontraram-se também os cravos.
A imperatriz quis saber imediatamente qual das três cruzes era a de Jesus Cristo. Achando-se ali gravemente enferma, quase à morte, uma nobre dama, aplicando-lhe as cruzes, pôde-se saber, no mesmo instante, qual era a Cruz desejada, uma vez que, com a aplicação da Cruz de Jesus Cristo, tocada pela graça divina, ergue-se do leito a enferma completamente curada e glorificando ao Senhor em alta voz (…).
O imperador pede ao então bispo, Macário, que apresse a edificação das respectivas basílicas, enviando-lhe um arquiteto e grande soma em dinheiro, com a ordem expressa de que os sagrados edifícios (no Gólgota, em Belém, e no Monte das Oliveiras) se decorassem com o maior esplendor, de sorte que não houvesse nada igual no mundo (22).
No século V, o dia 13 de setembro é aniversário da dedicação das basílicas constantinianas. Segundo a peregrina Egéria, tinha-se determinado esse dia, alguns anos antes – talvez em 335 – por ser a data do descobrimento da Cruz (23).
Cirilo de Jerusalém, na XIII Catequese, que se realizara provavelmente em 347, diz textualmente:
A Paixão é real: verdadeiramente foi crucificado. E não nos envergonhemos disso. Foi crucificado. E não o negamos; pelo contrário, comprazemo-nos em afirmá-lo. Chegaria a envergonhar-me, se me atrevesse a negar o Gólgota que temos à vista; afastaria dos olhos o madeiro da Cruz que dessa cidade distribuiu-se como relíquias pelo mundo todo.
Reconheço a Cruz, porque conheço a ressurreição. Se o Crucificado tivesse permanecido em tal situação, não reconheceria a Cruz; apressar-me-ia, pelo contrário, em escondê-la, juntamente com meu Mestre. Como após a Cruz vem a Ressurreição, não me envergonho de falar longamente da mesma (24).
A festa da Cruz, a 14 de setembro, difundiu-se rapidamente por todo o Oriente, eclipsando a comemoração da dedicação da basílica constantiniana (25). Em Roma, no século VI, celebrava-se a Exaltação no dia 3 de maio. Posteriormente – no século VII – começou a apresentar-se o madeiro da Cruz à veneração do povo, no dia 14 de setembro (26).
O resgate da Cruz pelo imperador Heráclio em 631 não veio senão incrementar e consolidar um culto já amplamente difundido.
As igrejas de tradição bizantina relacionaram a festa do dia 14 de setembro entre as do Senhor (despotika) – de primeira classe – e, portanto, entre as 12 grandes festividades litúrgicas. É precedida de uma vigília (preortia) e seguida de sete dias pós-festivos (meteortia), mais outro oitavo de despedida da festa (apodosis), que coincide com o dia 21 do referido mês de setembro.
A celebração litúrgica, muito simples em si, tem seu ponto mais alto no gesto do celebrante, que podemos ver refletido no Ícone. Vejamo-lo em detalhes.
No dia da festa, o celebrante, após pequena procissão, pára no centro da igreja; e levanta então, ao alto, a relíquia da Cruz.
A assembléia faz, ao mesmo tempo, a mais simples de todas as orações e mais própria de uma criatura ante a misericórdia do Deus criador: “Piedade, Senhor!” Repete-se 100 vezes a oração.
Repete o celebrante o gesto de elevar ao alto a Cruz, voltando-se para os quatro pontos cardeais, enquanto o povo reza, canta e exclama 100 vezes: “Piedade, Senhor!”
Deposita-se depois a Cruz em um grande recipiente cheio de flores e coloca-se sobre um tetrapodium no centro da igreja. O Clero e todos os fiéis, prostrando-se de joelhos, vão adorando a Cruz e recebendo uma flor das que serviram de enfeite à relíquia.
Notas:
1. 1Cor 1 18-23
2. Hino, n. 38 (SC), tr. 9.
3. Romano o Melode, Hino, n. 39 (SC), tr. 23.
4. Cf. Passarelli, G., Ícone da crucifixão (Iconostásio 9), AM edições, São Paulo (prelo).
5. Cf. Gn 2, 16; Êx 31, 8; Ap 2, 7, Passarelli, G., Macario Crisocefalo, l’ omelia sullafesta dell’Ortodossia e Ia basilica di S. Giovanni di Filadelfia (OCA, 210), Roma, 1980, 161,20.
6. Passarelli, G., ibid., 169,41.
7. Da hinografia da festa.
8. . Cf. Mt 27, 45ss.; Lc 23,46. A hora que precede as Vésperas. A hora nona corresponde aproximadamente às 15 horas (3 p.m.).
9. Cf. Frolow, A., La Reiique de ia Vraie Croix. Recherches sur ie déveioppement d’un culte (AGC, 7), Paris, 1961; Bornert, R., “La céiébration de ia sainte Croix dans ie rire byzantin “, em La sainte Crou, La Maison-Dieu 75, 3 (1963), 92-108; Janeras, S., Le Vendredi-saint dans ia Tradition liturgique byzantine. Structure et Histoire de ses Offices (Studia Anselmiana, 99), Roma, 1988.
10. Trata-se de hino originário do século VII, cf. Bomert, 94; Janeras, 297.
11. Trata-se de costume melkita que tinha origem no Ofício estacional da Paixão hierosolirnitana, adotado oficialmente em Constantinopla pelo patriarca Sofrônio 11 em 1864 e hoje em uso entre os gregos.
12. O patriarca Nicéforo deixou-nos uma bem detalhada descrição da circunstância em que se restituíra a Cruz ao Santo Sepulcro. A relíquia estava guardada numa caixa lacrada. O clero examinou os lacres e, após comprovar que não se tinha violado, o bispo Modesto abriu a caixa com as chaves que se havia guardado. Prostrando-se todos, procedeu-se à cerimônia da Exaltação. Cf. Frolow, “La Vraie Croix et les expéditions d’ Héraclius en Perse”, em Revue des Études Byzantinesll (1953), 88-105; Grumel, y., “La reposition de Ia Vraie Croix à Jérusalem parHéraclius, lejouretl’année”, em Byzantinische Forschungen 1 (1966), 139-149; Bornert, 99-101; Janeras, 298-299.
13. Legislador monástico, que viveu no célebre mosteiro de Studios em Constantinopla. Foi um dos mais insignes defensores do culto aos ícones.
14. Antigamente dizia-se: “Conhecei o Imperador”, hoje substituído por “govemantes” ou por “Igreja”.
15. PG 52,835 C. Repete-se a adoração na segunda-feira, na quarta-feira e sexta-feira, guardando a relíquia, a seguir, no tesouro do santuário.
16. O calendário bizantino, vigente ainda liturgicamente nas Igrejas desta tradição, começa a primeiro de setembro.
17. Cf.Jo 3, 14.
18. PG 33, 1169 A.
19. La croce nella Preghiera Bizantina, Bréscia, 1990,48.
20. Constantino VII, Profirogênito, Etlibra de tas Ceremanias, 11, 8 (PG 112, 1005 C-99A).
21. Não sabemos a época nem conhecemos outras obras desse autor. É talvez anterior ao século X.
22. Pennacchinni, P. C., Discorso storico dell’invenzione della Croce, deI monacoAlessandro, Grottaferrata, 1913,59-60; cf. Righetti, M., L’anno liturgico. Il breviario, Milão, 1969,343344.
23. Diario di viaggio, SC 296, 316-317.
24. PG 33, 775B.
25. A festa da Exaltação celebra-se no dia 14 de setembro pelos bizantinos, latinos, coptas e siro-jacobitas; no dia 13, pelos siro-nestorianos, e no domingo que tem lugar entre os dias 11 e 17 pelos armênios.
26. Jounel, P., “Le culte de Ia Croix dans Ia liturgie romaine”, em La sainte Croix, La Maison-Dieu 75, 3 (1963),75-82,87-91.
27. Ofício da Paixão, antífona 15. O recibo de nossa dívida é o título que aparece nas mãos de Cristo em diversos ícones. Veja se a propósito, por exemplo, CI 2, 14: “Cancelou a nota de dívida que tinha contra nós, a das prescrições com cláusulas desfavoráveis, e suprimiu-a cravando-a na cruz”. Romano o Melode, Hinos, tr. 10: “Consente em deixar-se crucificar e destrói a nota de penhor, tu que vieste para chamar novamente Adão”; e tr. 11: “Espera tão-somente libertar-me da pesada dívida”(Hino, Akathistos). “Ele que perdoa as dívidas a todos os homens, querendo perdoar as antigas culpas, voluntariamente se entrega aos desertores de sua graça e, rasgando o quirógrafo do pecado, ouve a todos exclamar: Aleluia!” Para outras fontes, cf. Lampe, G. W. H., A pat.ristic greek Lexikon, Oxford, 1972, palavras Cheirographon e Proselio. Cf. Passarelli, Ícone da Mãe de Deus, (Iconostásio 1), AM edições (prelo).
28. Can 73 (Mansi, XI, 975).
29. Denzinger, H. A. e Schoenmetzer, A., Enchiridion Symbolorum, Barcinone-Friburgi Br. e Romae-Neo Eboraci 1977, n. 601. Cita-se, ali, São Basílio, Tratado sobre el Espiritu Santo, c. 18, par 45 (SC 17, 194). Acolheram-se nesse concílio os graus da “aproskynesis”, que deve render-se a Deus, aos santos, às relíquias, aos ícones e aos imperadores, estabelecida por São João Damasceno.
30. Cf. Bomert, 106; Frolow, ob. cit., passim.
31. Homilia sobre ia Exaitación de ia Cruz, PG 97, 1033A.
32. Frolow, ob. cit., 48; Bome11, 106. No trabalho de Frolow podem ler-se muitos outros testemunhos.
«Adoração da Cruz»
ôde-se observar como os hinos e toda essa exposição falam sempre de «adoração» da Cruz. Pela única razão de que muito rapidamente a Cruz veio a ser a imagem do Crucificado e da sua Ressurreição: dois aspectos distintos, porém, inseparáveis, de um só mistério.
«Adoramos, Senhor, tua Cruz e glorificamos tua santa Ressurreição», é o tema mais comum dos hinos. Eis mais um exemplo do que foi dito:
Na Cruz, Cristo deu morte ao autor de nossa morte.
Devolveu a vida e a beleza a quem as tinha perdido;
e, num desdobramento de bondade e misericórdia,
restituiu-lhes o direito de cidadania no céu.Na Cruz cancelaste, Senhor, o assentamento de nossa dívida.
Cantado entre os mortos, prendeste o tirano que reinava sobre eles; e com tua ressurreição, libertaste-nos dos laços da morte (27).
Sobre o que deveriam ser tributadas as honras à Cruz, pronunciaram-se dois Concílios:
No Concílio Quinissesto de 692, os Padres prescreveram que se rendesse à santa Cruz «a adoração em espírito, nos lábios e nos sentidos». (28) E no segundo Concílio de Niceia (787), concretiza-se a natureza exata da referida adoração: à santa Cruz, como aos ícones, deve-se tributar «adoração honorífica», «não culto propriamente dito» reservado somente a Deus. Porque «a honra dirigida à imagem passa ao protótipo, e o que adora a imagem, adora a pessoa nela representada» (29).
Os textos litúrgicos, homiléticos e epigráficos documentam como semelhante prescrição conciliar estava profundamente enraizada nos usos e costumes (30).
André de Creta (660-740), por exemplo, disse claramente:
Nós adoramos a Cruz,
uma vez que nela bendizemos ao Crucificado (31).
O mesmo atestam outros textos de origem mais humilde e, por isso, sem dúvida maiores expressões da verdadeira piedade dos fiéis. Seria bom exemplo a inscrição do século Vil, que faz falar assim à própria Cruz:
Sou a Cruz, salvaguarda do universo;
minha morada é a eternidade,
onde gozo de igual veneração à do Corpo imortal (32).
PASSARELLI, Gaetano.
O Ícone da Exaltação da Cruz.
São Paulo: Ed. Ave Maria
«Assim é preciso que o Filho do Homem seja elevado, para que todo o que nele crê seja salvo»
oje, nosso Senhor Jesus Cristo está pregado na Cruz e nós estamos em festa, para que saibais que a Cruz é uma festa e uma celebração espiritual. Outrora, a Cruz designava um castigo; agora tornou-se objeto de honra. Outrora símbolo de condenação, ei-la hoje princípio de salvação. Porque ela é para nós causa de bens sem conta: livrou-nos do erro, iluminou-nos as trevas, reconciliou-nos com Deus; tínhamo-nos tornado, para com Ele, inimigos e estrangeiros longínquos. Para nós, ela é hoje a destruição da inimizade, o penhor da paz, o tesouro de mil bens.
Graças a ela, já não erramos nos desertos, porque conhecemos o caminho verdadeiro. Não ficamos fora do palácio real, porque encontramos a porta. Não tememos as armas inflamadas do diabo, porque descobrimos a fonte. Graças a ela, já não estamos na viuvez, pois encontramos o Esposo. Não temos medo do lobo, pois encontramos o bom pastor. Graças à Cruz, não tememos o usurpador, pois nos sentamos ao lado do Rei.
Eis porque estamos em festa ao celebrarmos a memória do Cruz. O próprio São Paulo nos convida para a festa em honra da Cruz: “Celebremos esta festa”, diz ele, “não com fermento velho, nem com o fermento da malícia e da perversidade, mas com os ázimos da pureza e da verdade” (1 Co 5,8). E ele explica-nos a razão dizendo: “Porque Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós”. (1 Co 5,7).
S. João Crisóstomo (cerca de 345-407),
Homilia 1 «Sobre a Cruz e sobre o Ladrão».
«A cruz, árvore de vida»
Como é bela a imagem da cruz! A sua beleza não oferece mistura de mal e de bem, como outrora a árvore do jardim do Éden. Toda ela é admirável, “uma delícia para os olhos e desejável” (Gn 3, 6). É uma árvore que dá a vida e não a morte; a luz, não a cegueira. Leva a entrar no Éden, não a sair dele. Esta árvore, à qual subiu Cristo, como um rei para o seu carro de triunfo, derrotou o diabo, que tinha o poder da morte, e libertou o gênero humano da escravidão do tirano. Foi sobre esta árvore que o Senhor, qual guerreiro de eleição, ferido nas mãos, nos pés e no seu divino peito, curou as cicatrizes do pecado, quer dizer, a nossa natureza ferida por Satanás.
Depois de termos sido mortos pelo madeiro, encontramos a vida pelo madeiro; depois de termos sido enganados pelo madeiro, é pelo madeiro que repelimos a serpente enganadora. Que permutas surpreendentes! A vida em vez da morte, a imortalidade em vez da corrupção, a glória em vez da ignomínia. Por este motivo, o apóstolo Paulo exclamou: “Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6, 14) … Mais do que qualquer sabedoria, esta sabedoria que floresceu na cruz tornou ignóbeis as pretensões da sabedoria do mundo (1 Cor 1, 17s) …
É pela cruz que a morte foi morta e Adão restituído à vida. É pela cruz que todos os apóstolos foram glorificados, todos os mártires coroados, todos os santos santificados. É pela cruz que fomos reconduzidos como as ovelhas de Cristo, e fomos reunidos no redil do alto.
São Teodoro Estudita (759-826)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.