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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Domingo, 31 de Maio de 2020:
 
 
 

«Domingo dos Santos Padres do
1° Concílio Ecumênico de Nicéia (325)»

(76º domingo da Páscoa - Modo 2º pl.)

Mémória de Santo Ermías.

Antífonas da Ascenção, Isodikon da Ressurreição, Apolitíkion da Ressurreição, modo 2 Pl., da Ascenção, dos Padres, Kondakion dos Padres, do(a) Padroeiro(a) e da Ascensão.

Os cristãos orientais conservam viva a memória do solene evento realizado no ano 325 em Nicéia, em que foram condenados os erros de Ário. O fato de celebrar este acontecimento na proximidade da festa da Ascensão é um incentivo a reavivar a nossa fé no Verbo de Deus, verdadeiro homem, e que voltou para o Pai celestial.

Matinas

EVANGELHO

(JO 21: 1-14)

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, Jesus manifestou-se novamente aos discípulos, às margens do mar de Tiberíades. Manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos. Simão Pedro lhes disse: "Vou pescar". Eles lhe disseram: "Vamos nós também contigo". Saíram e subiram ao barco e, naquela noite, nada apanharam. Já amanhecera. Jesus estava de pé, na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus lhes disse: "Jovens, acaso tendes algum peixe?" Responderam-lhe: "Não!" Disse-lhes: "Lançai a rede à direita do barco e achareis". Lançaram, então, e já não tinham força para puxá-la, por causa da quantidade de peixes. Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro: "É o Senhor!" Simão Pedro, ouvindo dizer: "É o Senhor!", vestiu a roupa - porque estava nu - e atirou-se ao mar. Os outros discípulos, que não estavam longe da terra, mas cerca de duzentos côvados, vieram com o barco, arrastando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas, tendo por cima peixe e pão. Jesus lhes disse: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes". Simão Pedro subiu então ao barco e arrastou para a terra a rede, cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes; e, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: "Vinde comer!" Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: "Quem és tu?", porque sabiam que era o Senhor. Jesus aproxima-se, toma o pão e o distribui entre eles; e faz o mesmo com o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus se manifestou aos discípulos, depois de ressuscitado dos mortos.

Divina Liturgia

Issodikon

Bendizei a Deus nas vossas assembléias,
bendizei o Senhor, filhos de Israel!

Salva-nos, ó Filho de Deus,
que ressuscitaste dentre os mortos,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion da Ressurreição (Modo 2 Pl)

Enquanto Maria estava diante do sepulcro à procura de teu imaculado Corpo,
Os Anjos apareceram em teu túmulo e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte, submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!

Apolitikion da Festa (Modo 4 pl.)

Tu és digno de toda glória, ó Cristo nosso Deus,
pois constituíste os nossos padres
como astros sobre a terra,
e por eles nos guiaste a todos à verdadeira fé.
Ó cheio de compaixão, glória a Ti!

Kondakion da Festa

A pregação dos apóstolos e os ensinamentos dos padres
firmaram uma só fé na Igreja;
a qual, revestida do manto da verdade,
tecido com a ciência teológica revelada,
distribui sabiamente e glorifica o grande mistério da piedade.

Prokimenon

Salva, Senhor, o teu povo,
e abençoa a tua herança (Sl 28, 9).

Clamo a ti, Senhor, meu rochedo,
presta ouvido aos meus rogos (Sl 28, 1).

Epístola

[AT 20: 16-18, 28-36]

LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS.

aqueles dias, Paulo decidira passar ao largo de Éfeso, para não lhe acontecer de prolongar demais sua estada na Ásia. Ele apressava-se a fim de passar o dia de Pentecostes em Jerusalém, se lhe fosse possível. De Mileto, mandou emissários a Éfeso para chamarem os anciãos daquela igreja. Quando chegaram, assim lhes falou: "Vós bem sabeis como procedi para convosco todo o tempo, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia. Estai atentos a vós mesmos e a todo o rebanho: nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentar a Igreja de Deus, que ele adquiriu para se pelo sangue do seu próprio Filho. Bem sei que, depois de minha partida, introduzir-se-ão entre vós lobos vorazes que não pouparão o rebanho. Mesmo do meio de vós surgirão alguns falando coisas pervertidas, para arrastarem atrás de si os discípulos. Vigiai, portanto, lembrados de que, durante três anos, dia e noite, não cessei de admoestar com lágrimas a cada um de vós. Agora, pois, recomendo-vos a Deus e à palavra de sua graça, que tem o poder de edificar e de vos dar a herança entre todos os santificados. De resto, não cobicei prata, ouro, ou vestes de ninguém: vós mesmas sabeis que, às minhas precisões e às de meus companheiros, proveram estas mãos. Em tudo vos mostrei que é afadigando-nos assim que devemos ajudar os fracos, tendo presentes as palavras do Senhor Jesus, que disse: 'Há mais felicidade em dar que em receber'". Após estas palavras, ajoelhou-se e orou com todos eles.

Aleluia

Quem habita ao abrigo do Altíssimo
e vive à som-bra do Senhor onipotente (Sl 91, 1).

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção;
sois o meu Deus no qual confio inteiramente (Sl 91, 2).

Evangelho

[JO 17: 1-13]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São JOÃO.

aquele tempo, falou Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: "Pai," chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique," e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê vida eterna a todos os que lhe deste. Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram tua palavra. Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós. Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura. Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria.

Hirmos

Subiu Deus por entre aclamações,
o Senhor, ao som das trombetas.
Aleluia, aleluia, aleluia!

OBS.:

- Antífonas da Ascensão;
- Hirmos comum e Kinonikón de domingo;
- Após a comunhão, Apolitikion da Ascensão;
- Bênção Final: fórmula da Ressurreição e da Ascensão.

 

O Domingo dos Santos Padres do
1° Concílio Ecumênico de Nicéia

s cristãos orientais conservam viva a memória do solene evento realizado no ano 325 em Nicéia, em que foram condenados os erros de Ário. O fato de celebrar este acontecimento entre as festas da Ascensão e Pentecostes é um incentivo a reavivar a nossa fé no Verbo de Deus, verdadeiro homem, e que voltou para o Pai celestial donde nos enviou o Paráclito .

É sabido que, entre os Padres dos Sete Concílios ecumênicos do primeiro milênio, o grupo dos bispos orientais formavam a maioria, mas não é tanto a eles que são elevados hinos de louvor; mais se insiste sobre a importância da Igreja, liberta dos erros, e se agradece com gratidão a Deus por tal acontecimento, como é claramente expresso no tropário principal, que é comum também às outras duas comemorações dos Padres dos Concílios.

Remetemos à apresentação detalhada da comemoração de outubro em que será dado também o texto do tropário que começa com as palavras: "Infinitamente glorioso és tu, ó Cristo nosso Deus...". Ao Evangelho lê-se a Oração sacerdotal de Jesus (Jo 17,1-13). É uma súplica já bastante repetida entre os ecumenistas e que nos faz pensar nas muitas Igrejas agora separadas entre si, mas que têm em comum a fé professada no Concílio de Nicéia, doutrina fundamental e essencial para todos os cristãos.

Na sexta-feira se conclui o Pós-festa da Ascensão e no sábado, vigília de Pentecostes, celebra-se a comemoração de todos os fiéis defuntos.

Fonte:

DONADEO, Madre Maria, O Ano Litúrgico Bizantino. São Paulo: Editora Ave Maria, 1990

 

comemoração dos Santos Padres dos Concílios realiza-se no domingo após a festa da Ascensão do Senhor. Com a expansão da Igreja, surgiram interpretações dúbias da doutrina cristã, daí nasceram os Concílios Ecumênicos, reuniões universais de Bispos que decidiam junto aos Patriarcas (cinco em total) o que era ou não, a verdadeira fé. O primeiro concílio ocorreu em 325 e o sétimo e último, em 787, transcorrendo quase 500 anos de uma era conturbada dentro da Igreja.

O Primeiro Concílio Ecumênico realizou-se na cidade de Nicéia, no ano 325, atendendo a um pedido do imperador Constantino Magno. Deliberou sobre o erro de Ário, sacerdote de Alexandria, que se referia a Jesus Cristo somente como um homem inspirado por Deus e não a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Assim as idéias de Ário foram condenadas como doutrina errônea e foram criados os sete primeiros pontos do Credo que professamos.

O Segundo Concílio Ecumênico realizou-se no ano 381, conhecido como Constantinopla I, que foi convocado pelo imperador Teodósio e que condenou outro erro grave de Macedônio, Arcebispo de Constantinopla, que negava que o Espírito Santo fosse Deus, quer dizer, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que é a base da fé cristã. Neste Concílio completou-se o Credo - " Niceno-Constantinopolitano", o que se professa até hoje.

O Terceiro Concílio Ecumênico realizou-se em Éfeso, no ano 431, convocado pelo imperador Teodósio II, no seu nome e do imperador Valentiniano III do Império Romano Ocidental, para condenar Nestório, Arcebispo de Constantinopla, que propagava a crença de que a Virgem Maria não era Mãe de Deus, quer dizer da Segunda Pessoa de Deus, mas somente de um homem chamado Jesus, mais uma vez negando a divindade do Senhor Jesus. De acordo com Nestório, o homem chamado Jesus era simplesmente unido a Deus de modo espiritual e não era necessariamente o seu Filho.

O Quarto Concílio Ecumênico realizou-se em Calcedônia, no ano 451, convocado pelo imperador Marquiano, no seu nome e do imperador do Império Romano Ocidental. Este Concílio julgou Eutiques, monge de Constantinopla, que combateu Nestório de maneira equivocada, negando a humanidade de Jesus que está bem clara nas Sagradas Escrituras. Esta doutrina errônea chama-se Monofisitismo que vem do grego e significa "uma só natureza". Neste Concílio foi definitivamente estabelecido que Jesus tem duas naturezas, a Divina e a humana, sendo perfeitamente homem e Perfeitamente Deus.

O Quinto Concílio Ecumênico, Constantinopla II, realizou-se no ano 553. Foi convocado pelo imperador Justiniano. Este Concílio condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório.

O Sexto Concílio Ecumênico, Constantinopla III, realizou-se no ano 680. Foi convocado pelo imperador Constantino, Barbudo. Este Concílio combateu a corrente chamada Monotelista, que defendia a idéia de Cristo ter uma só vontade, a Divina, e que a vontade humana estava perfeita e absolutamente sujeita a esta Vontade Divina. Na verdade, a dualidade de vontades em Jesus Cristo não é contrariada uma pela outra, estando a vontade humana sujeita a Vontade Divina. (Lc 22,42). É nesta época que surge, historicamente, o Islamismo, analisado neste Concílio. Outro objeto de análise foi o destaque dado às novas Regras Apostólicas, transformadas no principal documento legislativo da Santa Igreja Ortodoxa (Nono Cânon).

O Sétimo e último Concílio Ecumênico, Nicéia lI, realizou-se no ano 787. Foi convocado pela imperatriz Irene, em seu nome e do seu filho Constantino, para condenar um grupo de iconoclastas que queriam proibir a veneração das santos Ícones. Neste Concílio definiu-se e deliberou-se a doutrina ortodoxa da veneração dos Ícones.

Protopresbítero Nicolás Milus

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

«CHAMS» n.67, São Paulo, maio de 1998, pag. 62

Jaroslav K. Turkalo: «Narys istórií vselenskykh soboriv»

Compêndio da história dos Concílios Ecumênicos, New Haven - 1974.

 

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