Igreja São Nicolau

Kastellórizon é uma pequena ilha grega (9 Km²) ) situada no Dodecaneso, a sudeste do mar Egeu, na parte oriental de seu território. A população e a economia atingiram o apogeu no final do século XIX, quando nela habitavam 15.000 pessoas. Com a decadência do Império otomano a ilha também enfrentou decadência e, na década de 1920, sua população caiu para 3.000 unidades, enquanto que 8.000 emigraram para o exterior, especialmente na Austrália, Egito, Grécia e América. Nesse tempo estavam ocupadas 730 casas enquanto que 675, vazias, caíram na ruína.

Em 1912 chegaram a Florianópolis 30 famílias gregas de Kastelórizon. O caminho tinha sido preparado pelo Capitão Savas Nicolau Savas, aqui aportado pela primeira vez em 1883 e estabelecido com a família em 1889. O Governador Hercílio Pedro da Luz, no plano de povoar a Ilha de SC, promoveu sua colonização, concedendo um lote de 5 a 10 hectares a preço módico e a prazo de 10 anos, sem juros, com aparelhamento agrário e garantia de subsistência.

Os gregos que aqui chegaram, porém, eram urbanos e não se dedicaram à agricultura, mas ao comércio. Recordando sua pátria, se estabeleceram em duas frentes para o mar: nas Ruas Nicolau Tolentino e Conselheiro Mafra, e na Praia de Fora, no final da Esteves Júnior esquina com a Bocaiuva.

A colônia grega permaneceu unida e gerou bons comerciantes, intelectuais e políticos.

Descendente dos gregos foi o Governador Jorge Kominos Lacerda, morto em acidente aéreo em 1958, aos 43 anos de idade e no segundo ano de governo.

A Fé Ortodoxa na Ilha de Santa Catarina

Pertencentes à Igreja Ortodoxa Grega, eram muito religiosos e assistiam à Missa aos domingos. Nas casas, sempre os ícones de São Nicolau, patrono dos marítimos e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Diante do ícone que era saudado com reverência por quem entrava, sempre acesa, a lamparina.

Na madrugada da Missa do Galo, Páscoa, saíam pelas ruas da cidade, com as velas acesas, a se cumprimentarem “Cristo Ressuscitou”, com a resposta “Ressuscitou de verdade. Aleluia!” Ainda hoje diversas famílias mantém a tradição religiosa, trocando doces alusivos à data e, passando por cada casa, repetem a saudação do anúncio da ressurreição do Senhor.

O padre era o “Papas”, muito respeitado na comunidade: usava batina preta com enorme crucifixo ao peito e barrete, além das longa barba. Uma vez ao ano percorria todas as casas gregas para benzê-las.

Os gregos quiseram manter a fé ortodoxa. Construíram sua igreja dedicada a São Constantino, padroeiro da Ilha de Kastelórizon na Rua Conselheiro Mafra. Houve conflito e escolheu-se o padroeiro São Nicolau, patrono dos marítimos. Em 1939 iniciaram nova construção na Rua Tenente Silveira, com arquitetura assemelhada às demais igrejas gregas. Foi consagrada em 1963 pelo Bispo Thimóteos e é sede paroquial.

Pe. José Artulino Besen 

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