No mundo visível, se um povo muito pequeno se revolta contra o rei, este não se incomoda a dirigir pessoalmente as operações, antes envia os seus soldados, com os respetivos chefes, e são eles que travam o combate. Pelo contrário, se o povo que se ergue contra ele é muito poderoso e é capaz de lhe devastar o reino, então o rei vê-se obrigado a empreender pessoalmente a campanha, com a sua corte e o seu exército, e a travar ele o combate. Considera que dignidade é a tua! Pois foi o próprio Deus quem empreendeu a campanha, com os seus próprios exércitos – os anjos e os espíritos santos –, para vir proteger-te e te libertar da morte. Tem, pois, confiança, e repara na providência de que és objeto.

Retiremos outro exemplo da vida presente. Imaginemos um rei que depara com um homem pobre e doente e, longe de se desgostar dele, lhe trata as feridas com medicamentos salutares, o leva para o palácio, o veste de púrpura, o cinge com um diadema e o convida para a sua mesa. Pois é assim que Cristo, o Rei celeste, Se aproxima do homem doente, o cura e o convida para a sua mesa real, e fá-lo sem lhe violar a liberdade, antes o persuadindo a aceitar honra tão elevada.

Está escrito no Evangelho que o Senhor enviou os seus servos, mandando-os convidar todos quantos quisessem acorrer, mandando-os anunciar: «Preparei o meu banquete!» Os convidados, porém, desculparam-se. […] Aquele que convidava estava pronto, mas os convidados recusaram o convite; são, portanto, responsáveis pelo seu destino. Tal é a grande dignidade dos cristãos. Eis que o Senhor lhes prepara o Reino, e os convida a nele entrar; mas eles recusam-se. Perante o dom que nos foi prometido, poder-se-ia dizer que, se uma pessoa […] sofresse tribulações desde a criação de Adão até ao fim do mundo, nada teria feito em comparação com a glória que receberá em herança, porque está destinada a reinar com Cristo pelos séculos sem fim. Glória Àquele que amou de tal maneira esta alma, que Se entregou e Se confiou a ela, bem como a sua graça! Glória à sua majestade!


Homilia atribuída a São Macário (?-390), monge do Egipto
Homilias espirituais, n.º 15, § 30-31
Fonte: Evangelho Cotidiano

 

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