Só Deus é bom por natureza. Mas o homem também se torna bom pela atenção que presta ao seu comportamento no caminho do verdadeiro bem, transformando-se naquilo que não é, quando a alma, atraída pelo bem, se une a Deus na medida em que lho permitem as suas faculdades. […]

Pois assim como o mar agitado se acalma naturalmente quando lhe deitamos óleo, e as ondas se deixam vencer pela unção do óleo, assim também a nossa alma se pacifica quando recebe a unção da suavidade do Espírito Santo. Pois a alma deixa-se vencer com alegria, como diz o santo: «Submete-te a Deus, alma minha» (Sl 61,6 LXX), por esta impassibilidade e esta suavidade indizíveis que a cobrem com a sua sombra. Deste modo, por muito numerosas que sejam as provocações que os demônios fazem à alma, esta mantém-se branda e cheia de alegria. Mas trata-se de um estado ao qual ninguém chega e no qual ninguém permanece a não ser que pacifique continuamente a sua alma pelo temor de Deus. […]

Pois tal como a cera, se não for aquecida ou amolecida durante muito tempo, não pode receber o selo que lhe é aplicado, assim também o homem, se não tiver conhecido a prova das dores e das fraquezas, não poderá ter em si o selo da virtude de Deus. É por isso que o Senhor declara ao maravilhoso Paulo: «Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza» (2Cor 12,9); e o próprio apóstolo gloria-se, dizendo: «De bom grado, portanto, prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.»


Diádoco de Foticeia (c. 400-?)
Capítulos espirituais n.º 2, 35, 94
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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