O apóstolo Paulo […] testemunha a respeito do Filho único que Ele não Se limitou a criar os seres, mas que, tendo a antiga criação envelhecido e tendo-se tornado caduca, operou uma nova criação. E assim, o próprio Cristo é o primogênito de toda a criação (Col 1,15) pelo evangelho anunciado aos homens. […]

Como se tornou Cristo «primogênito de uma multidão de irmãos» (Rom 8,29)? […] Por nós, Ele fez-Se como nós, tendo participado na carne e no sangue para nos transformar de corruptíveis em incorruptíveis, pelo nascimento do alto, da água e do Espírito (Jo 3,5). Mostrou-nos o caminho de um tal nascimento quando, pelo seu próprio batismo, atraiu o Espírito Santo sobre a água, tornando-Se assim o primogênito de todos os que são regenerados espiritualmente; e todos os que tomam parte nesta regeneração pela água e pelo Espírito são chamados irmãos.

Tendo depositado na nossa natureza humana a força da ressurreição de entre os mortos, Cristo tornou-Se também primícias dos que adormeceram e primogênito dos mortos (Col 1,18). Primeiro entre todos, abriu-nos o caminho da libertação da morte. Pela sua Ressurreição, destruiu os laços da morte que nos mantinham cativos. Assim, por esta dupla regeneração, do santo batismo e da ressurreição dos mortos, Ele tornou-Se o primogênito da nova criação.

Este primogênito tem irmãos, Ele que disse a Maria Madalena: «Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para meu e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus» (Jo 20,17). É por isso que, como mediador entre Deus e os homens (1Tim 2,5), abrindo o cortejo de toda a natureza humana, ele envia aos seus irmãos esta mensagem: «Pelas primícias que assumi em Mim, Eu reconduzo ao nosso Deus e Pai tudo o que é humano.»


São Gregório de Nissa (c. 335-395)
Contra Eunômio
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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