Eu, que era um tosco fugitivo e sem instrução, eu, que não sei prever o futuro, sei, no entanto com certeza uma coisa: que, antes de ser humilhado, era como uma pedra num lodaçal profundo. Mas Ele veio, o Todo-poderoso e, na sua misericórdia, pegou em mim, ergueu-me e colocou-me em cima de um muro. Por isso, elevarei bem alto a minha voz, para devolver ao Senhor uma parte dos seus benefícios, aqui na Terra e na eternidade, benefícios tão grandes que o espirito do homem não pode contá-los.

Ficai pois admirados, «grandes e pequenos que temeis a Deus» (Ap 19,5); e vós, senhores bem-falantes, escutai e examinai atentamente. Quem me suscitou, a mim, o insensato, do meio daqueles que passam por sábios, doutores da lei de palavras poderosas e de tantas outras coisas? Quem me inspirou, mais que a outros, a mim, o refugo deste mundo, para «no temor e no respeito» (Hb 12,28) […], fazer lealmente bem ao povo ao qual me levou o amor de Cristo e a quem Ele me deu, para que, se eu for digno disso, O sirva toda a minha vida com humildade e verdade?

Por isso, «segundo a medida da minha fé» (Rom 12,6) na Trindade, fui chamado a reconhecer e […] proclamar o dom de Deus e a sua consolação eterna; a propagar, sem medo mas com confiança, o nome de Deus em toda parte (Sl 118,67), para deixar uma herança aos meus irmãos e aos meus filhos, a tantos milhares de homens que batizei no Senhor.


Fonte: Evangelho Cotidiano
São Patrício (c. 385-c. 461)
Confissão, 12-14; SC 249

 
 

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