Para bem precisar o papel dos servos que colocou à frente do Seu povo, o Senhor diz estas palavras que o Evangelho narra: «Quem será, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor pôs à frente do seu pessoal para lhe dar, a seu tempo, a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando vier, encontrar procedendo assim». Quem é este mestre, irmãos? Sem dúvida alguma é Cristo, que disse aos discípulos: «Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou» (Jo 13, 13). E quem é o pessoal da casa de tal mestre? É evidentemente esse que o próprio Senhor resgatou das mãos do inimigo, e tornou Seu. Esse pessoal é a Igreja santa e universal que com maravilhosa fecundidade se propaga  por todo o mundo e se glorifica por ter sido resgatada pelo preço do sangue do Senhor […].

Mas quem é o administrador fiel e prudente? O apóstolo Paulo no-lo mostra, ao falar de si próprio e dos seus companheiros nestes termos: «Considerem-nos, pois, servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se requer dos administradores é que se sejam fiéis» (1Cor 4, 1-2). E para que ninguém de entre nós pense que apenas os apóstolos se tornaram administradores, e para que nenhum servo, preguiçoso e infiel, abandone o combate espiritual ou se ponha a dormir, o santo apóstolo refere-se claramente aos próprios bispos como administradores: «É preciso que o bispo, como administrador de Deus, seja irrepreensível», diz-nos (Tit 1, 7). Somos, pois, os servos do Pai de família, os administradores do Senhor, e d’Ele recebemos a ração de trigo que distribuiremos por vós.

São Fulgêncio de Ruspe (467-532), bispo na África do Norte
Sermão 1; CCL 91A, 889 (a partir da trad. de Orval)
Fonte:
Evangelho Cotidiano

 

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