«O rosto de Moisés resplandecia porque ele tinha falado com Deus. Aarão e todos os Israelitas viram-no […] e tiveram medo de se aproximar dele. […] Quando Moisés acabou de lhes falar, cobriu o rosto com um véu» (Ex 34,29s). O brilho com o qual o rosto de Moisés resplandecia era Cristo a brilhar nele; mas não Se mostrou aos olhos dos hebreus: eles não O viram. […] Em todo o Antigo Testamento Ele Se nos apresenta velado, como Moisés, o símbolo de toda a profecia. Por detrás desse véu, pairando sobre os livros dos profetas, aparece Cristo, augusto juiz, sentado no seu trono de glória. […]

Se Moisés estava velado, que outro profeta poderia descobrir a face? Por conseguinte, a seguir a ele, todos estavam velados nos seus discursos: anunciavam e cobriam; apresentavam a sua mensagem, e ao mesmo tempo encobriam-na com um véu. […] Era porque Jesus brilhava nos seus livros que um véu O escondia aos olhos deles, véu que proclamava a todo o universo que as palavras das Sagradas Escrituras tinham um sentido oculto. […]

Nosso Senhor levantou este véu quando explicou os seus mistérios a todo o universo. Pela sua vinda, o Filho de Deus descobriu o rosto de Moisés, velado até então por palavras ininteligíveis. A nova aliança veio iluminar a velha; o mundo pode enfim apoderar-se dessas palavras, que já nada encobre. O Senhor, nosso Sol, elevou-Se sobre o mundo e iluminou toda a criatura; mistério e enigmas são finalmente esclarecidos. O véu que cobria os livros foi levantado e o mundo contempla o Filho de Deus com o rosto descoberto.


São Tiago de Sarug (c. 449-521)
Homilia sobre o véu de Moisés
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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