Quem poderá seguir o Altíssimo até ao seu ser inexprimível e incompreensível? Quem poderá perscrutar as profundezas de Deus? […] Quem é Deus? Pai, Filho e Espírito Santo, Deus é uno. Não perguntes mais nada acerca de Deus. Aqueles que desejam conhecer o fundo das coisas acerca de Deus devem começar por considerar a ordem natural. Com efeito, compreender a Trindade é semelhante a conhecer as profundezas do mar, sobre as quais disse a Sabedoria de Deus: «Quem poderá alcançar as profundezas do mar?» (Ecl 7, 24). […] Assim como o fundo dos mares é invisível aos olhares dos homens, assim a Trindade divina permanece inacessível à compreensão humana. Por isso, se alguém quiser compreender aquilo em que crê, que não lhe ocorra que o fará melhor por via dos raciocínios que pela fé, porque dessa maneira a sabedoria divina que procura afastar-se-á ainda mais.

Procura, pois, esse conhecimento supremo, não discutindo, mas levando uma vida perfeita, não pela língua, mas pela fé,, que brota nos corações simples e não resulta de conjeturas eruditas. Pois se procurares o inefável por meio de raciocínios, Ele afastar-se-á ainda mais de ti; se O procurares por meio da fé, a Sabedoria estará onde permanece: à tua porta (Prov 1,21); e aí pode ser vista, mesmo que só parcialmente. Na verdade, a sabedoria é alcançada quando se acredita naquilo que é invisível, aceitando não o compreender. Uma vez que Deus é invisível, temos de crer n’Ele; porém, Deus pode ser visto pelos corações puros (Mt 5,8).


Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros
Instrução 1, 2-4 ; PL 80, 231
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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