Não rezes a pedir que se faça a tua vontade, porque ela não corresponde necessariamente à vontade de Deus. Reza antes para que a Sua vontade se faça em ti (cf Mt 6,10), pedindo-Lhe em todas as coisas que se cumpra o seu querer, porque Ele deseja o bem e a utilidade da tua alma, ao passo que tu, não é necessariamente isso que procuras.

Nas minhas orações, pedi muitas vezes que se fizesse o que julgava ser bom para mim, e insistia nesse pedido, violentando tolamente a vontade de Deus, não Lhe pedindo que ordenasse o que Ele sabia ser útil para mim; e contudo, recebida a coisa, era grande a minha desilusão por não ter pedido antes que se fizesse a vontade de Deus, por ter preferido solicitar o cumprimento do meu querer, porque percebia que o que recebera não era como o tinha imaginado.

Nada há que seja bom senão Deus. Abandonemos, pois, nele tudo o que nos diz respeito e ficaremos bem. Pois Aquele que é bom também é provedor de dons excelentes. Não te aflijas por não receberes imediatamente de Deus aquilo que Lhe pedes; é que Ele deseja dar-te bens ainda maiores, pela tua perseverança na oração. Com efeito, nada há mais elevado que conversar com Deus e permanecer mergulhado na sua intimidade. […] Não queiras que o que te diz respeito se resolva de acordo com as tuas ideias, mas que o seja de acordo com a vontade de Deus; então farás uma oração cheia de reconhecimento e vazia de perturbações.


Evágrio do Ponto (345-399) – monge do deserto do Egito
Capítulos sobre a oração, nos. 31-34 e 89, erradamente atribuídos a Nilo, o Asceta
Fonte: Evangelho Cotidiano

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