Hoje o Padre T., um eremita, veio a minha casa. Sabendo que esse homem era um asceta, pensava que ele gostava de falar de Deus. Tive uma longa conversa com ele e, em seguida, pedi-lhe que me dissesse uma palavra para eu corrigir os meus erros. Ficou silencioso durante um instante e, depois, disse-me: «Vê-se que és orgulhoso. Porque é que falas tanto de Deus? Os santos escondiam o amor de Deus na sua alma e preferiam falar das lágrimas». Padre T., a minha alma ama o Senhor… Como esconderia eu este fogo que a inflama? Como poderia esconder as maravilhas do Senhor que encantaram a minha alma? Como poderia esquecer os benefícios do Senhor, pelos quais a minha alma conheceu Deus? Como poderia não falar de Deus, quando a minha alma se tornou a sua presa? Como me poderia calar sobre Deus, se dia e noite o meu espírito arde de amor por ele? Serei então um adversário das lágrimas? Por que razão, Padre, disseste à minha alma: «Porque falas tanto de Deus?» A minha alma ama-o… Como esconder o amor do Senhor por mim? Certamente que sou digno dos tormentos eternos, mas Ele perdoou-me e deu-me a sua graça, que não pode ficar escondida numa alma… Hei de dizer á minha alma: »Esconde em ti as palavras do Senhor?» Mas todos os céus conhecem o que, na sua misericórdia, o Senhor fez por mim e hão de perguntar-me porque é que escondi as maravilhas do Senhor e não falei delas aos homens, a fim de que todos amem a Deus e nele encontrem o repouso.

São Siluane (1866-1938), monge ortodoxo,
Escritos Espirituais
Fonte: Evangelho Cotidiano

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