Àquele cujo coração está fundado na esperança da fé não falta coisa alguma. Embora nada tenha, tudo possui pela fé, como está escrito: «Tudo quanto pedirdes com fé, na oração, recebê-lo-eis» e «O Senhor está perto. Não vos inquieteis por coisa alguma» (Mt 21, 22; Fil 4, 5-6)

O intelecto está sempre à procura de meios que lhe permitam reter aquilo que adquiriu; mas a fé diz que, «se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores» (Sl 126, 1). Aquele que reza na fé nunca vive apenas do conhecimento intelectual. Esse saber faz o elogio do temor. O sábio disse: «Feliz aquele que teme no seu coração». Mas o que diz a fé? Que, quando teve medo, Pedro começou a afundar-se. E ainda: «Vós não recebestes um espírito de escravidão, para cair de novo no temor; recebestes, pelo contrário, um espírito de adoção» (Rm 8, 15), que nos dá a liberdade da fé e da esperança em Deus.

A dúvida segue-se sempre ao medo […]; o medo e a dúvida manifestam-se sempre na busca das causas e no exame dos fatos, porque o intelecto nunca alcança a paz. A alma está muitas vezes sujeita aos imprevistos, às dificuldades, às numerosas armadilhas que a fazem perigar, mas nem o intelecto nem as diferentes formas de sabedoria podem ajudá-la. Pelo contrário, a fé nunca se deixa vencer por nenhuma destas dificuldades. […] Vês a fraqueza do conhecimento e o poder da fé? […] A fé diz: «Tudo é possível a quem crê» (Mc 9, 23), «pois a Deus tudo é possível» (Mc 10, 27). Ó riqueza inefável! Ó mar que nas suas vagas transporta semelhante riqueza, tesouros maravilhosos que dele transbordam pelo poder da fé!          

Santo Isaac, o Sírio (séc. VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, Iª série, nº 62
 (a partir da trad. DDB 1981, p. 332 rev.)
Fonte: Evangelho Cotidiano

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