Naaman era sírio, tinha lepra e ninguém conseguia purificá-lo daquela doença. […] Foi a Israel e Eliseu ordenou-lhe que se banhasse sete vezes no Jordão. Então Naaman pensou que os rios da sua pátria tinham águas melhores, nas quais ele se tinha banhado muitas vezes sem ter sido purificado da lepra. […] Mas acabou por se banhar e, imediatamente purificado, compreendeu que a purificação não viera das águas, mas da graça. […]

Foi por isso que [no dia do teu batismo] te disseram: não creias apenas naquilo que vês, porque poderias dizer como Naaman: é esse o grande mistério que «nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem» (1Cor 2,9)? Vejo água, como sempre vi! Terá esta água o poder de me purificar, quando tantas vezes me banhei nela sem ser purificado? Aprende que a água não purifica sem o Espírito.

Foi por isso que leste que, no batismo, «três são os que testificam: o Espírito, a água e o sangue» (1Jo 5,7-8). É que, se retirares um que seja, o sacramento do batismo desaparece. Com efeito, o que é a água sem a cruz de Cristo? É um vulgar elemento, sem qualquer alcance sacramental. E, da mesma maneira, sem água não há mistério do novo nascimento, porque «quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus» (Jo 3,5). O catecúmeno acredita na cruz do Senhor Jesus, cujo sinal recebeu; mas, se não tiver sido batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não pode receber o perdão dos seus pecados, nem acolher o dom da graça espiritual.

O sírio Naaman mergulhou sete vezes, segundo a Lei; tu foste batizado em nome da Trindade. Tu confessaste a tua fé no Pai, confessaste a tua fé no Filho, confessaste a tua fé no Espírito Santo. Recorda a sucessão destes fatos; pois, nesta fé, morreste para o mundo e ressuscitaste para Deus.

 
 

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