Lista cronológica dos concílios ecumênicos

O primeiro concílio de Niceia teve lugar durante o reinado do imperador romano Constantino I (o primeiro imperador romano a aderir ao cristianismo) em 325. Foi a primeira conferência de bispos ecuménica (do Grego oikumene, “mundial”) da igreja católica. Lidou com questões levantadas pela opinião Ariana da natureza de Jesus Cristo – Se Deus, homem ou alguma mistura. Acabou por decidir contra a opinião dos arianos, em favor da trindade.

Niceia (hoje Iznik), é uma cidade da Anatólia (hoje parte da Turquia)

Foram oferecidas aos bispos as comodidades do sistema de transporte imperial – livre transporte e alojamento de e para o local da conferência – para encorajar a maior audiência possível. Constantino abriu formalmente a sessão.

Nos cerca de 300 anos entre a morte de Cristo e o Concílio de Niceia, o cristianismo permanecia “apenas” uma seita do judaismo tal como fariseus, saduceus ou os essênios (os cristãos foram inicialmente conhecidos como “os nazarenos”). Cristãos e judeus tinham muito em comum. Os autores do Novo Testamento eram judeus, bem como os apóstolos e os primeiros discípulos. Ambos os grupos observavam o Shabbat, as mesmas festividades e todos visitavam a Sinagoga. Até 135 D.C., todos os líderes da igreja eram judeus. Só então surge um nome de família grego entre esses líderes.

Até ao Concílio de Niceia de 325, os cristãos e os judeus celebravam o Pesakh (Páscoa) no mesmo dia. No entanto, os gentios (cristãos sem origem judaica) começaram a ver a necessidade de diferenciar o “seu” Pesakh do dos judeus. As igrejas concordaram mover o dia da celebração do Pesakh. O assunto de como estabelecer a data definitivamente permaneceu no entanto em aberto. A palavra portuguesa “páscoa” é uma derivação da palavra pessach hebraica. Do hebreu “peschad”, grego “paskha” e latim “pache” – significando “passagem”. Já nas línguas germânicas o nome “Peschad” de origem judaica acabaria por ser trocado por Easter (inglês) ou Öster (alemão) por preferência de “Eostre”, o nome de uma deusa pagã, ao nome da festa judaica.

Uma outra das decisões do concílio de Niceia consistiu na transferência do dia de descanso semanal do Sábado para Domingo. Antes da religião cristã conseguir o reconhecimento oficial de Roma, judeus e cristãos tinham tradições e festejos em comum. Hoje, nos países cristãos o domingo é considerado dia de descanso, enquanto que para os Judeus o Sábado permaneceu sempre o dia de repouso. Em Israel hoje, o fim-de-semana consiste de Sexta-Feira e Sábado.

É um facto reconhecido que o anti-judaísmo, ou o anti-semitismo cristão, ganhou um novo impulso com a tomada do controle do império romano, sendo o concílio de Niceia um marco neste sentido.

Os posteriores Concílios da Igreja manteriam esta linha. O Concílio de Antioquia (341 D.C.) proibiu aos Cristãos a celebração da Páscoa com os Judeus. O Concílio de Laodicea proibiu os Cristãos de observar o Shabbat e de receber prendas de judeus ou mesmo de comer pão ázimo nos festejos judaicos.

Uma boa fonte para o estudo deste periodo histórico é-nos apresentada hoje sob a forma da obra de Edward Gibbon, um historiador representativo do iluminismo inglês do século XVIII, ainda hoje lida e traduzida para várias línguas (Uma nova tradução para o alemão foi editada em 2003): “A história do declínio e queda do império romano”.

O carácter, a sociedade, e os problemas

O primeiro concílio de Niceia ressalta como o ponto inicial para as grandes controvérsias doutrinais da igreja no quarto e quinto séculos. Aqui foi efectuada uma união entre o portentado eclesiástico dos conselhos e o estado, que concedeu às deliberações deste corpo o poder imperial. Sínodos anteriores tinham-se dado por satisfeitos com a proteção de doutrinas heréticas; mas o concílio de Niceia é caracterizado pela etapa adicional de uma posição mais ofensiva, respeitante a artigos minuciosamente elaborados sobre a fé.

Na controvérsia ariana colocava-se um obstáculo grande à realização da ideia de Constantino de um império universal que deveria ser alcançado com a ajuda da uniformidade da adoração divina. Conformemente, para o verão de 325 os bispos de todas as províncias foram chamados ao primeiro concílio ecuménico em Niceia, na Bitínia, Frígia, no Helesponto: um lugar facilmente acessível à maioria dos bispos, especialmente aos da Ásia, Síria, Palestina, Egipto, Grécia, Trácia e Egrisi (Geórgia ocidental). O número dos membros não pode exatamente ser indicado; Atanásio contou 318, Eusébio somente 250.

Como era costume, os bispos orientais estavam em maioria; na primeira linha de influência hierárquica estavam três arcebispos: Alexandre de Alexandria, Eustáquio de Antioquia, e Macário de Jerusalém, bem como Eusébio de Nicomédia e Eusébio de Cesareia. Entre os bispos encontravam-se Stratofilus, bispo de Pitiunt (Bichvinta, reino de Egrisi).

Este concílio teve uma importância especial também porque as perseguições aos cristãos tinham recentemente terminado.

O ocidente enviou não mais de cinco representantes na proporção relativa das províncias: Marcus de Calabria de Itália, Cecilian de Cartago de África, Hosius de Córdova (Espanha), Nicasius de Dijon da França, e Domnus de Stridon da província do Danúbio. Estes dignitários eclesiásticos naturalmente não viajaram sozinhos, mas cada qual com sua comitiva, de modo que Eusébio refere um grupo quase inumerável de padres acompanhantes, diáconos e acólitos.

Entre os presentes encontrava-se Atanásio, um diácono novo e companheiro do bispo Alexandre de Alexandria, que se distinguiu como o “lutador mais vigoroso contra os arianos” e similarmente o patriarca Alexandre de Constantinopla, um presbítero, como o representante de seu bispo, mais velho.

Os pontos a ser discutidos no sínodo eram:

  • A questão Ariana
  • A celebração da Páscoa
  • O cisma de Milécio
  • O baptismo de heréticos
  • O estatuto dos prisioneiros na perseguição de Licínio.

Os procedimentos

O concílio foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial, ocupando-se com discussões preparatórias na questão ariana, em que Arius, com alguns seguidores, em especial Eusébio de Nicomédia, Teógnis de Nice, e Maris de Chalcedon, parecem ter sido os principais líderes; as sessões regulares, no entanto, começaram somente com a chegada do imperador. Após ter prescrito o curso das negociações ele confiou o controlo dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo. É indubitavelmente devido às orientações de Constantino nesta etapa que o concílio, após estar na sessão por um mês inteiro, promulgou a 19 de Junho o credo de Niceia.

O credo foi adotado neste conselho, mas o voto não foi unânime, e a influência do imperador era claramente evidente quando diversos bispos de Egipto foram expulsos devido à sua oposição ao credo.

No início os arianos e os ortodoxos mostraram-se incondescendentes entre si. Os arianos confiaram a respresentação de seus interesses a Eusébio de Cesareia, cujo nível e a eloquência fez uma boa impressão perante o imperador. A sua leitura da confissão dos arianos provocou uma tempestade de raiva entre os oponentes; duas minorias interessadas vividamente em opiniões contrárias opuseram-se, mas entre elas bocejaram-se indiferentes.

No seu interesse, assim como para sua própria causa, Eusébio, depois de ter cessado de representar os arianos, apareceu como um mediador; ao afirmar que o objectivo principal a ser perseguido deveria ser o estabelecimento da paz da igreja, concordou ao mesmo tempo com seu protector exaltado.

Apresentou uma fórmula nova, o símbolo baptismal, da sua própria congregação, em Cesareia, pela qual se conseguiu a reconciliação das diferentes opiniões. O imperador, que perseguiu as intenções puramente políticas de uma pacificação bem sucedida, não poderia desejar uma proposição mais bem-vinda e confirmando-a imediatamente, adoptou-a como sua.

Desta maneira, não acedeu completamente à maioria, mas conciliou-se mais provavelmente com os seus desejos; pois, se os ortodoxos pudessem realmente fazer contar com uma maioria preponderante, mesmo a pedilecção do imperador não os teria impedido de conceber a sua confissão na forma proposta pelo bispo Alexandre na sua primeira carta circular.

Mas longe de ousar tal plano, a maioria (sem resistência) protestou, afirmando que os seus direitos deveriam ser considerados por cláusulas correctivas. Apesar deste tipo de procedimentos ser mais característico de minorias do que de maiorias, neste caso a maioria procedeu assim e não deixou de obter a vitória.

Concílios ecumênicos

Um concílio (também conhecido como sínodo) é uma assembléia de uma Igreja, geralmente uma Igreja cristã, convocada para decidir um ponto de doutrina ou administração. Um concílio ecumênico (ou ecuménico) é assim chamado porque é um concílio de toda a Igreja (ou, mais exatamente, do que aqueles que o convocam consideram ser toda a Igreja).

Abaixo segue-se uma lista de todos os concílios ecuménicos.

Local e designação Duração Temas principais

  1. Niceia I 20-5 a 25-7 de 325 A heresia de Ário. Redacção do símbolo ou credo que se recita na missa.
  2. Constantinopla I Maio a Julho de 381 A divindade do Espírito Santo.
  3. Éfeso 22-6 a 17-7 de 431 A heresia de Nestório. A maternidade divina de Maria.
  4. Calcedónia 8-10 a 1-11 de 451 Condenação do monofisismo. A existência em Jesus Cristo de duas naturezas completas e perfeitas na unidade da pessoa, que é divina.
  5. Constantinopla II 5-5 a 2-6 de 533 Condenação de documentos nestorianos designados Os Três Capítulos.
  6. Constantinopla III 7-11 de 680 a 16-9 de 681 Condenação do monotelismo.
  7. Niceia II 24-9 a 23-10 de 787 Legitimidade da veneração de imagens.
  8. Constantinopla IV 5-10 de 869 a 28-2 de 870 Condenação e deposição de Fócio, patriarca de Constantinopla
  9. Latrão I 18-3 a 6-4 de 1123 A Questão das Investiduras. Independência da Igreja perante o poder temporal.
  10. Latrão II Abril de 1139 Fim do cisma do Antipapa Anacleto II
  11. Latrão III Março de 1179 Normas para a eleição do Papa.
  12. Latrão IV 11 a 30-11 de 1215 Condenação do catarismo. Definição de transubstanciação. Preceito pascal.
  13. Lyon I 28-6 a 17-7 de 1245 Deposição do Frederico II.
  14. Lyon II 7-5 a 17-7 de 1274 União com a Igreja Grega. Regulamentação do conclave para a eleição papal. Cruzada para libertar Jerusalém.
  15. Vienne 16-10 de 1311 a 6-5 de 1312 Supressão dos Templários.
  16. Constança 5-10 de 1414 a 22-4 de 1418 Fim do Cisma do Ocidente. Condenação de Wyclif e de Hus.
  17. Concílio de Basileia-Ferrara-Florença 1431-1432 União com as Igrejas orientais. Reconhecimento no romano pontífice de poderes sobre a Igreja Universal.
  18. Latrão V 10-5 de 1512 a 16-3 de 1517 Condenação do concílio cismático de Pisa (1511-1512). Reforma da Igreja.
  19. Trento 13-12 de 1545 a 4-12 de 1563 Reforma geral da Igreja. Condenação dos erros protestantes.
  20. Vaticano I 8-12 de 1869 a 18-7 de 1870 Primado do papa e infalibilidade pontifícia.
  21. Vaticano II 11-10 de 1962 a 8-12 de 1965 Problemas de índole pastoral.
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