Choremos os pagãos, que não compreendem a salvação que Deus lhes quer dar. Sim, um esposo ama menos a sua mulher do que nós amamos todos os homens e, por isso, gostaríamos de os levar a todos à salvação. Choremos e lamentemos esses incrédulos, porque para eles a linguagem da cruz é uma loucura, sendo, como é, «poder de Deus e sabedoria de Deus» (1Cor 1,18.24).

Vê bem, ó homem! Por ti, Jesus Cristo tomou a forma de escravo (Fil 2,7); por ti, morreu numa cruz; por ti, ressuscitou. E tu dizes que é impossível acreditar num amor assim, adorar um Deus assim, quando o que este Rei fez por ti, seu inimigo, que pai, que filho ou que amigo, entre nós, o teria feito?

Quando digo: «O meu Deus está pregado numa cruz», o pagão responde-me: «A razão não pode admitir uma coisa dessas. Ele sofre e deixa-Se crucificar; não pode, então salvar-Se a si mesmo? Mas, se não pode salvar-Se a si mesmo, como pode salvar os outros? (cf Mt 27,42). Tudo isto é contrário à razão.» É verdade: a cruz é um mistério que supera a razão humana, é sinal de um poder que está para além de qualquer compreensão. Mas repara: quando, depois de terem sido lançados na fornalha, os três hebreus triunfaram das chamas (Dan 3), isso foi mais prodigioso do que se não tivessem sido lançados nelas. Que Jonas tenha sido engolido por uma baleia, é natural, é normal; mas Jonas permanecer vivo no ventre do monstro, aí está o prodígio. Do mesmo modo, Cristo provou melhor a sua divindade triunfando da morte desde o próprio seio da morte, do que a teria demonstrado recusando-Se a morrer.


São João Crisóstomo (c. 345-407)
4.ª Homilia sobre 1 Coríntios
Fonte: Evangelizo.org

 
 

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