Encontramos em Cristo características tão humanas, que não têm nada que as distinga da fraqueza que é comum a todos nós, os mortais, e ao mesmo tempo características tão divinas, que só podem pertencer à soberana natureza divina. Perante isto, a inteligência humana, que é demasiado restrita, sente uma admiração tão grande, que não sabe o que pensar nem que direção tomar: pressente Deus em Cristo, mas vê-O morrer; toma-O por homem, e eis que Ele ressuscita dos mortos com o seu espólio de vitória, após ter destruído o império da morte. Deste modo, a nossa contemplação deve ser exercida com muita reverência e temor, no sentido em que considera no mesmo Jesus a verdade das duas naturezas, evitando atribuir à inefável essência divina coisas que são indignas dela e não lhe pertencem, mas evitando também ver nos acontecimentos da história apenas aparências ilusórias.

Na verdade, fazer com que os ouvidos humanos ouçam estas coisas e tentar exprimi-las por palavras ultrapassa largamente as nossas forças, o nosso talento e a nossa linguagem. Penso mesmo que ultrapassa a medida dos apóstolos. Mais, a explicação deste mistério transcende provavelmente toda a ordem dos poderes angélicos.


Orígenes (c. 185-253)
Tratado dos princípios, livro 2, cap. 6, 2: PG 11, 210-211

 
 

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