Se formos chamados ao martírio, teremos de confessar com constância o precioso Nome, e se formos punidos por isso, alegremo-nos porque corremos para a imortalidade. Se formos perseguidos, não nos entristeçamos nem nos apeguemos ao mundo presente, nem aos «louvores dos homens» (Rom 2,29), nem à glória dos príncipes, como fazem alguns. Esses admiravam as ações do Senhor, mas não acreditavam n’Ele, por temor dos sumos-sacerdotes […], porque «amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus» (Jo 12,43). Fazendo «solene profissão» da fé (1Tim 6,12), garantimos a nossa salvação, firmamos na fé os novos batizados e consolidamos a fé dos catecúmenos. […]

Que aquele que for julgado digno do martírio se alegre, pois, por imitar o Mestre, uma vez que foi prescrito: «O discípulo bem formado será como o mestre» (Lc 6,40). Ora, o nosso Mestre, Jesus, o Senhor, foi açoitado por nossa causa, suportou com paciência calúnias e ultrajes, foi coberto de escarros, esbofeteado e espancado; tendo sido flagelado, foi pregado na cruz, deram-Lhe a beber vinagre e fel e, depois de ter cumprido todas as Escrituras, disse a Deus, seu Pai: «Nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23,46). Quem quiser ser seu discípulo aspire, pois, a lutar como Ele, imite a sua paciência, ciente de que […], será recompensado por Deus de tudo quanto sofrer, se acreditar no único Deus verdadeiro. […]

Porque Deus onipotente há de ressuscitar-nos por Nosso Senhor Jesus Cristo, de acordo com a sua infalível promessa, com todos aqueles que morreram desde o princípio. […] Mesmo que morramos no mar alto, mesmo que estejamos dispersos pelo mundo, mesmo que sejamos dilacerados por animais ferozes ou rapaces, Ele há de ressuscitar-nos pelo seu poder, porque todo o universo está suspenso da mão de Deus: «Nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá.» É por isso que Ele nos exorta dizendo: «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.»


Constituições Apostólicas (380) recolha canônica e litúrgica
Recuperação da Didascália dos Apóstolos,
texto dos começos do séc. III
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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