«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos». Procuraste-Me quando Eu não estava cá, aproveita agora. Sei do teu desejo, apesar do teu silêncio. E antes que mo digas, já sei o que pensas. Ouvi-te falar e, embora estivesse invisível, estava perto de ti, próximo das tuas dúvidas. Sem deixar que Me visses, fiz-te esperar, para melhor observar a tua impaciência. «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente».

Então Tomé tocou-Lhe e toda a sua desconfiança caiu por terra. Cheio de uma fé sincera e de todo o amor que é devido a Deus, exclamou: «Meu Senhor e meu Deus!» E o Senhor disse-lhe: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Tomé, comunica a notícia da ressurreição àqueles que não Me viram. Leva a Terra inteira a acreditar, não nos seus olhos, mas na tua palavra. Dirige-te aos povos e às cidades longínquas. Ensina-os a levar a cruz aos ombros, em vez das armas. Basta que Me anuncies: eles acreditarão e adorar-Me-ão. Não exigirão outras provas. Diz-lhes que são chamados pela graça e tu, contempla a fé deles: na verdade, felizes os que acreditam sem terem visto.

Tal é o exército do Senhor. Tais são os filhos da piscina batismal, as obras da graça, a colheita do Espírito. Seguiram a Cristo sem O terem visto, procuraram-n’O e creram n’Ele. Reconheceram-n’O com os olhos da fé e não com os do corpo. Não meteram o dedo no sinal dos pregos, mas agarraram-se à sua cruz e abraçaram os seus sofrimentos. Não viram o peito do Senhor mas, pela graça, tornaram-se membros do seu corpo e fizeram sua a palavra de Cristo: «Felizes os que acreditam sem terem visto».


Basílio de Selêucia (?-c. 468)
Sermão para a Ressurreição, 1-4
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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