Enquanto gozar do sopro de vida que me concedeste, Pai santo, Deus todo poderoso, proclamar-Te-ei Deus eterno e Pai eterno. Nunca eu me farei juiz do teu poder supremo e dos teus mistérios; nunca porei o meu limitado conhecimento à frente da noção verdadeira do teu infinito; nunca afirmarei que exististe jamais sem a tua sabedoria, o teu poder ou o teu Verbo, que é Deus, o Unigênito, o meu Senhor Jesus Cristo. É que, mesmo sendo a linguagem humana fraca e imperfeita, ao falar de Ti não limitará o meu espírito a ponto de reduzir a minha fé ao silêncio, por falta de palavras capazes de exprimir o mistério do teu ser. […]

Nas realidades da natureza, também há muitas coisas cuja causa não conhecemos, sem contudo lhes ignorarmos os efeitos. E quando, devido à nossa incapacidade, não sabemos que dizer dessas coisas, a nossa fé enche-se de adoração. Quando contemplo o movimento das estrelas […], o fluxo e refluxo do mar […], o poder oculto na mais pequena semente […], a minha ignorância ajuda-me a contemplar-Te, pois, se não compreendo essa natureza que está ao meu serviço, distingo nela a tua bondade, pelo simples facto de existir para me servir. Apercebo-me mesmo de que nem a mim próprio me conheço, mas admiro-Te tanto mais por isso […]. Deste-me a razão, a vida e os meus sentidos de homem, que me causam tantas alegrias, mas não consigo compreender qual foi o meu começo como homem.

É, pois, não conhecendo aquilo que me cerca que capto aquilo que és; e, percebendo aquilo que és, adoro-Te. Por isso, não compreender os teus mistérios não diminui a minha fé no teu poder supremo. […] A geração de teu eterno Filho ultrapassa a própria noção de eternidade, é anterior aos tempos eternos. Nunca exististe sem Ele […], és o Pai eterno do teu Unigênito desde antes dos tempos eternos.


Santo Hilário de Poitiers (c. 315-367)
A Trindade, 12,52-53
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

Não há comentários

Seja o primeiro a deixar um comentário.

Post a Comment


 
 
 

Pesquisar neste site

Web manager