A oração que se oferece durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se oferece durante o dia. É por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a doçura do sono e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o meu leito com as minhas lágrimas” (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo numa oração apaixonada. E, noutro passo: “Levanto-me a meio da noite para te louvar por causa das tuas sentenças, tu que és o Justo” (Sl 118,62). Para cada um dos pedidos que os santos queriam dirigir a Deus com todas as suas forças, eles armavam-se com a oração nocturna e imediatamente recebiam o que pediam.

O próprio Satanás nada receia tanto como a oração que se oferece durante as vigílias. Mesmo se são acompanhadas de distracções, não ficam sem fruto, a menos que se peça o que não convém. É por isso que ele trava sérios combates contra os que velam, a fim de os afastar quanto possível dessa prática, sobretudo se se mostram perseverantes. Mas os que se fortaleceram um pouco que seja contra as suas manhas perniciosas e saborearam os dons que Deus concede durante as vigílias e experimentaram pessoalmente a grandeza da ajuda que Deus lhes dá, desprezam-no completamente, a ele e a todos os seus estratagemas.    

Santo Isaac o Sírio (séc. VII),
monge em Nínive, perto de Mossul no actual Iraque
Discursos ascéticos
Fonte: Evangelho Cotidiano

Compartilhe isso:
 

Tags: , , , ,

 

Não há comentários

Seja o primeiro a deixar um comentário.

Post a Comment


 
 
 

Pesquisar neste site

Arquivos