Até aos dias de hoje, que são os últimos, Deus permitiu-nos que nos deixássemos levar ao sabor de desordenadas inclinações, arrastados pelos prazeres e pelas paixões. Não é que tenha tido o menor dos prazeres com os nossos pecados; tolerava apenas este tempo de iniquidade, sem que nele consentisse. Preparava o tempo actual, o da justiça, para que, convencidos de termos sido indignos da vida durante esse período devido aos nossos erros, nos tornemos agora dignos dela pelo efeito da bondade divina […].

Ele não nos odiou; não nos repeliu […]. Tendo piedade de nós, tomou sobre Si a responsabilidade dos nossos erros, e enviou o Seu próprio Filho para nos resgatar: o santo para os ímpios, o inocente para os maus, «o justo para os injustos» (1Pe 3, 18), o incorrupto para os corruptos, o imortal para os mortais. Que outra coisa a não ser a Sua justiça poderia cobrir, anular, os nossos pecados? Em Quem poderíamos nós ser justificados, senão no Filho unigénito de Deus? Dulcíssima troca, insondável obra, inesperados dons ! O crime de muitos é coberto pela justiça de apenas Um, e a justiça de Um único justifica a muitos culpados. No passado, Ele convenceu a nossa natureza da sua incapacidade em obter a vida; agora mostrou-nos o Salvador capaz de salvar o que não podia ser salvo. Quis, destes dois modos, dar-nos a fé na Sua bondade e fazer-nos ver n’Ele Aquele que alimenta, Aquele que é o pai, o mestre, o conselheiro, o médico, a inteligência, a luz, a honra, a glória, a força e a vida.

Carta a Diogneto (c. 200)
Cap. 9 (a partir da trad. de Orval; cf. SC 33 bis, p.68)
Fonte:
Evangelho Cotidiano

 

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