[No Evangelho de São Mateus, Jesus acabara de curar dois estrangeiros, em território pagão.] Neste paralítico, é a totalidade dos pagãos que se apresenta a Cristo para ser curada. Mas mesmo os termos dessa cura devem ser analisados: o que Ele diz ao paralítico não é: «Fica curado», nem: «Levanta-te e anda», mas: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados» (Mt 9,2). Num só homem, Adão, os pecados foram transmitidos a todos os povos. É por isso que aquele a quem Cristo chama filho se apresenta para ser curado […]; porque esse filho é a primeira obra de Deus […], que agora recebe a misericórdia que provém do perdão da primeira desobediência. Com efeito, não vemos que este paralítico tenha cometido pecado; de resto, o Senhor diz noutra passagem que a cegueira de nascença não é contraída por causa do pecado, próprio ou hereditário (Jo 9,3).

Só Deus pode realizar a remissão dos pecados; por isso, Aquele que os remiu é Deus. E, para que possamos perceber que assumiu a nossa carne para redimir as almas dos seus pecados e lhes obter a ressurreição, diz-lhes: «Para que saibais que o Filho do Homem tem na Terra poder para perdoar pecados»; e, voltando-Se para o paralítico, ordena-lhe: «Levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa.» Ter-Lhe-ia bastado dizer «Levanta-te»; mas acrescentou: «Toma a tua enxerga e vai para casa.» Primeiro concedeu a remissão dos pecados, depois mostrou o poder da ressurreição e a seguir, ao mandar remover o leito, demonstrou que a fragilidade e a dor não mais atingiriam os corpos. Por último, ao mandar este homem curado para sua casa, ensinou que os fiéis devem encontrar o caminho que leva ao Paraíso, o caminho que Adão, pai de todos os homens, abandonara quando foi desfeito pela mancha do pecado.


Santo Hilário de Poitiers (c. 315-367)
Comentário ao Evangelho de São Mateus 8, 5
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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