Ainda que os sintomas da morte tenham roubado por completo a esperança de vida, ainda que os corpos dos defuntos se encontrem já perto do sepulcro, à voz de Deus, os cadáveres que começavam a decompor-se recuperam a fala; o filho é devolvido a sua mãe, é chamado do túmulo, é arrancado ao túmulo. Que túmulo é o teu? São os teus maus hábitos, é a tua falta de fé. É deste túmulo que Cristo te salva, será deste túmulo que ressuscitarás, se ouvires a Palavra de Deus. Ainda que os teus pecados sejam tão graves que não possas lavar-te a ti próprio com as lágrimas do arrependimento, a Igreja, tua Mãe, chorará por ti, pois intercede por cada um dos seus filhos como mãe viúva com um filho único. Com efeito, a Igreja tem compaixão, por uma espécie de sofrimento espiritual, dos seus filhos que vê dirigirem-se para a morte em consequência de vícios funestos. […]

Que ela chore, pois, esta mãe piedosa; que a multidão a acompanhe; que não seja uma simples multidão, mas uma multidão considerável a ter compaixão desta mãe terna. Então, ressuscitarás do teu túmulo, serás dele libertado; os carregadores deter-se-ão, começarás a dizer palavras de vivo e todos ficarão estupefactos. E o exemplo de um só permitirá corrigir muitos, que louvarão a Deus por nos ter dado tais remédios para evitarmos a morte.


Santo Ambrósio de Milão (c. 340-397)
Tratado sobre o Evangelho de São Lucas, 5, 89, 91-92
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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