A toda a raça humana, aos reis e príncipes, aos ricos e pobres, aos monges e leigos: escutai-me agora, vou narrar a grandeza e o amor de Deus para com os homens! Pequei contra Ele como homem nenhum no mundo […] No entanto, Ele chamou-me e imediatamente respondi. […] Ele chamou-me à penitência, e imediatamente segui o meu Mestre. Quando Ele Se afastava, perseguia-O. […] Bem podia Ele partir, vir, esconder-Se, aparecer, que eu não voltava atrás, jamais perdia a coragem, não abandonando nunca o meu caminho […].

Quando não O via, procurava-O. Ficava em pranto, perguntando por Ele a toda a gente, a todos quantos O haviam visto. A quem perguntava? Não aos sábios deste mundo, mas aos profetas, aos apóstolos, aos sacerdotes – os sábios que possuem a sabedoria de que Ele é o próprio Cristo, a sabedoria de Deus (1Cor 1,24). Em lágrimas e com grande dor no peito, pedia-lhes que me dissessem onde O haviam visto, mesmo que apenas uma vez […]. E, vendo quão forte era o meu desejo, vendo que, a meus olhos, tudo o que existe no mundo, e o próprio mundo, eram nada […], Ele mostrou-Se e tornou-Se visível por inteiro. Ele, que está fora do mundo e que carrega o mundo e todos quantos estão no mundo, tanto as coisas visíveis como as invisíveis (Col 1,16), segurando-as com uma só mão, veio ao meu encontro. De onde veio, e como? Não sei […] As palavras não podem exprimir o inexprimível. Só conhece tais realidades quem as contempla. Por isso, não por palavras, mas por atos, apressemo-nos a procurar, a ver e a aprender a riqueza dos mistérios divinos, riqueza que o Mestre dá a quem a procura.


Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hino 29
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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