Evitemos perder a esperança, mas evitemos igualmente ceder à indolência. […] O desespero impede quem cai de se voltar a levantar; a indolência faz cair quem está de pé. […] Se a presunção nos faz tombar do alto dos céus, o desespero lança-nos no abismo infinito do mal, mas basta um pouco de esperança para nos arrancar a ele. […]

Foi assim que Nínive foi salva. Era natural que a sentença divina pronunciada contra os ninivitas os afundasse no desalento, porque ela não dizia: «Se vos arrependerdes, sereis salvos», mas: «Dentro de três dias, Nínive será destruída» (Jn 3,4). Contudo, nem as ameaças do Senhor, nem as imposições do profeta nem a própria severidade da sentença […] quebraram a confiança dos ninivitas. Deus quer que tiremos uma lição desta sentença imposta sem condições; instruídos por este exemplo, resistamos tanto ao desespero como à passividade. […] Mas a benevolência divina não Se manifesta apenas no perdão concedido aos ninivitas quando estes se arrependeram […]: o prazo dado atesta igualmente a sua bondade inexprimível. Com efeito, três dias não seriam suficientes para apagar tanta iniquidade. Por trás destas palavras, brilha a benevolência de Deus; de resto, é ele o artífice principal da salvação de toda a cidade.

Que este exemplo nos preserve de todo o desespero. Porque esta fraqueza é a arma mais eficaz do demônio; depois de termos pecado, o seu maior prazer é ver-nos perder a esperança.


São João Crisóstomo (c. 345-407)
Homilias sobre a conversão pronunciadas no seu regresso do campo, n.º 1
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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