Aprendeste, meu amigo, que o Reino dos céus está dentro de ti (Lc 17,21), se assim o quiseres, e que todos os bens eternos estão nas tuas mãos. Apressa-te, portanto, a ver, a sentir e obter em ti todos esses bens que te estão reservados. […] Clama a Deus; prostra-te.

Como o cego de outrora, diz tu também agora:

«Tem misericórdia de mim, Filho de Deus,
e abre os olhos da minha alma,
para que eu veja a Luz do mundo (Jo 8,12),
que és Tu, meu Deus,
e me torne também filho dessa luz divina (Jo 12,36).

Tu, que és bom e generoso,
envia-me, também a mim, o Espírito Santo, o Consolador (Jo 14,26),
para que me ensine tudo o que Te diz respeito,
tudo o que Te pertence, Deus do universo.

Permanece também em mim, como prometeste,
para que eu possa também permanecer em Ti (Jo 15,4).

Permite-me saber entrar em Ti
e saber que Te possuo em mim.

Tu, que és invisível,
digna-Te tomar forma em mim
para que, ao ver a tua beleza inacessível,
tenha em mim a tua imagem,
Tu que estás nos céus,
e me esqueça de todas as coisas visíveis.

Dá-me a glória que o Pai Te deu (Jo 17,22),
Tu que és misericordioso,
para que, semelhante a Ti como todos os teus servos,
partilhe a vida divina segundo a graça
e esteja continuamente contigo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos». Amém

Simeão o Novo Teólogo (c. 949-1022),
Ética 5
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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