O Espírito prometido pelos profetas desceu sobre o Filho de Deus feito Filho do homem (Mt 3,16) e acostumou-Se com Ele a habitar os homens, a repousar neles, a residir na obra modelada por Deus. O Espírito realizou neles a vontade do Pai, renovando-os e fazendo-os passar da sua vetustez à vida nova de Cristo.

Foi este Espírito que David pediu para o homem, dizendo: «Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito» (Sl 50,14 LXX). Foi também este Espírito que Lucas afirma que desceu sobre os discípulos após a ascensão do Senhor, no dia de Pentecostes, com poder sobre todas as nações, para os introduzir na vida e lhes abrir o Novo Testamento. Animados de um mesmo sentimento, os discípulos celebraram os louvores de Deus em todas as línguas, pois o Espírito trouxe a unidade aos povos separados e ofereceu ao Pai as primícias de todas as nações (At 2).

Foi também por isso que o Senhor prometeu enviar-nos um Paráclito que nos reconciliaria com Deus. Pois, tal como não se pode fazer massa com a farinha seca nem pão sem água, assim também nós, que éramos uma multidão, não poderíamos ser um em Cristo Jesus (1Cor 10,17) sem a água vinda do Céu. E, tal como a terra não frutifica a menos que receba água, também nós, que inicialmente éramos apenas madeira seca, nunca teríamos dado fruto vivo sem a chuva generosa vinda do alto. Os nossos corpos receberam a união com a incorruptibilidade pelo batismo e as nossas almas receberam-na pelo Espírito. Ambos são necessários, pois ambos contribuem para dar a vida em Deus.

Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208)
Contra as heresias III, 17, 1-2
Fonte: Evangelho Cotidiano

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