Porque te desprezas tanto, homem, sendo tão precioso para Deus? Porque te desonras tu a tal ponto, quando Deus te honra pelo nascimento de Cristo na nossa carne? Porque procuras como foste feito, e não averiguas com que objectivo estás feito? Esta morada do mundo que vês não foi, toda ela, feita para ti? É para ti que a luz se espalha e dissipa as trevas, foi para ti que a noite foi regulada, para ti que o dia foi medido; para ti que o céu irradia esplendores distintos do sol, da lua e das estrelas; para ti que a terra está matizada de flores, de árvores e de frutos; para ti que esta multidão surpreendente de animais foi criada, no ar, nos campos, na água tão bela, para que uma triste solidão não estragasse a alegria do mundo novo. […]

Além disso, o Criador procura o que pode acrescentar à tua dignidade; Ele deposita em ti a Sua imagem (Gn 1, 27), a fim de que esta imagem visível torne presente sobre a terra o Criador invisível, e confia-te a gestão dos bens terrenos, para que um tão vasto domínio não escape ao representante do Senhor. […] E o que Deus fez em ti pelo Seu poder, teve a bondade de o assumir em Si mesmo; Ele quis manifestar-Se verdadeiramente no homem em quem, até então, tinha aparecido apenas em imagem. Ele concedeu ao homem ser realmente o que anteriormente era apenas por uma simples semelhança. […] Cristo nasceu portanto para conferir toda a Sua integridade à natureza deteriorada.

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), Bispo de Ravena e Doutor da Igreja
Sermão 148, sobre o mistério da Encarnação
 (trad. bréviaire rev.; cf Orval)
Fonte: Evangelho Cotidiano

 

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