Todo o fim do monge e a perfeição de coração consistem numa perseverança ininterrupta na oração. Tanto quanto ele está sujeito à fragilidade humana, esforça-se por adquirir uma tranquilidade absoluta de alma e uma perfeita pureza de coração. Tal é a razão que nos faz empreender o trabalho corporal e buscar de todas as maneiras a verdadeira contrição de coração, com uma constância incessante.

Para adquirir o fervor e a pureza necessárias, a oração reclama uma total fidelidade nos seguintes pontos: primeiramente, uma completa libertação de toda a inquietação referente à carne. Em seguida, nenhum assunto, nenhum interesse cuja preocupação não possa ser excluída. Renunciar também à maledicência, às tagarelices, a toda a palavra vã e a toda a chalaça. Acima de tudo cortar pela raiz a origem da cólera e da tristeza. Destruir, em si, a paixão de todo o desejo carnal e apego ao dinheiro. Depois desta purificação que garante a pureza e a simplicidade, é preciso lançar o alicerce duma profunda humildade, capaz de sustentar a torre espiritual das virtudes que nos une ao céu. Enfim, para que o edifício espiritual das virtudes ganhe consistência, é preciso impedir à alma toda a dispersão em divagações e pensamentos fúteis. Nesse momento, o coração purificado e livre, começa a elevar-se pouco a pouco até à contemplação de Deus e à intuição das realidades espirituais.

Jean Cassier (cerca de 360-435),
fundador do mosteiro de Marseille
Conferências, nº9
Fonte:
Evangelho Cotidiano

 

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