João não falou apenas no seu tempo, anunciando o Senhor aos fariseus e dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3,3). Ainda hoje ele brada em nós e o trovão da sua voz abala o deserto dos nossos pecados. […] A sua voz ressoa ainda hoje, dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». […] Pede-nos que preparemos o caminho do Senhor […] pela pureza da nossa fé. O Senhor não toma os caminhos deste mundo, mas penetra no segredo dos corações. Se esta estrada for áspera devido aos maus costumes, for dura pela nossa brutalidade, estiver manchada pelo nosso comportamento, pede-nos que a limpemos, que a aplanemos, que a nivelemos. Deste modo, aquando da sua vinda, o Senhor não tropeçará, mas encontrará um caminho balizado pela castidade, aplanado pela fé, decorado com as nossas esmolas. O Senhor tem o hábito de percorrer este gênero de vias, porque o profeta clama: «Abri caminho àquele que cavalga sobre as nuvens; o seu nome é Senhor!» (Sl 67,5). […]

O próprio João traçou na perfeição e ordenou o seu caminho para a chegada de Cristo, porque foi em todas as coisas sóbrio, humilde, pobre e virgem: «João trazia um traje de pelos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre» (Mt 3,4). Pois não há maior sinal de humildade que o desprezo de vestes sumptuosas e o uso de peles por tratar; nem há maior sinal de fé que estar sempre preparado, com os rins cingidos, para qualquer dever de serviço; nem há sinal mais notável de renúncia que alimentar-se de gafanhotos e mel silvestre.


São Máximo de Turim (?-c. 420)
Sermão 88, PL 57, 733-736
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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