Ignorar a Deus é morrer; pois a vida reside apenas em conhecê-Lo, viver n’Ele, amá-l’O e procurar assemelhar-se a Ele. Se quereis a vida eterna, […] procurai antes de mais conhecê-l’O, ainda que «ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-l’O» (Mt 11,27). Em Deus, conhecei a grandeza do Redentor e a sua graça inestimável; pois, diz o apóstolo João, «a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (1,17). […] Se a Lei de Moisés pudesse dar-nos a vida eterna, porque teria o nosso Salvador vindo ao mundo e sofrido por nós, desde o nascimento até à morte, percorrendo toda uma vida humana? Porque se teria este jovem, que tão bem cumpria desde a juventude os mandamentos da Lei, lançado aos pés de Jesus para Lhe pedir a imortalidade?

Este jovem observava a Lei na sua totalidade, e a ela se ligara desde a juventude. […] Mas percebe bem que, se nada falta à sua virtude, lhe falta contudo a vida. É por isso que vem pedi-la Àquele que pode dar-lha; está seguro de estar em regra com a Lei, mas nem por isso deixa de implorar ao Filho de Deus. […] As amarras da Lei não o defendem adequadamente das oscilações do navio, pelo que ele deseja abandonar esta navegação perigosa e lançar âncora no porto do Salvador.

Jesus não lhe censura a falta de cumprimento da Lei, mas olha-o com afeto, emocionado com a sua aplicação de bom aluno. Contudo, diz-lhe que é ainda imperfeito […]: é bom trabalhador da Lei, mas preguiçoso para a vida eterna. A Lei santa é como um pedagogo que orienta para os mandamentos perfeitos de Jesus (Gal 3,24) e para a sua graça. Jesus é «o cumprimento da lei, para justificar todo aquele que crê n’Ele» (Rom 10,4).


São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Homilia «Os ricos podem salvar-se?»
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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