A encarnação do Verbo, a Palavra de Deus, diz respeito ao passado e ao futuro; nenhum tempo, por mais recuado que seja, foi privado do sacramento da salvação dos homens. O que os apóstolos pregaram é o que os profetas tinham anunciado, e não se pode dizer que aquilo em que se acreditou desde sempre se tivesse cumprido tardiamente. Adiando a obra da salvação, Deus tornou-nos, na sua sabedoria e na sua bondade, mais aptos para responder ao seu apelo […], graças a estes anúncios antigos e frequentes.

Não é verdade que Deus tenha providenciado às questões humanas mudando de intenção e movido por uma misericórdia tardia; desde a criação do mundo, Ele decretou para todos um único e mesmo caminho de salvação. Com efeito, a graça de Deus, pela qual todos os seus santos sempre foram justificados, não se iniciou com o nascimento de Cristo, antes cresceu com ele. Este mistério de um grande amor, que agora preencheu o mundo inteiro, já era igualmente poderoso em seus avisos; os que acreditaram quando lhes foi prometido não tiveram menos benefícios do que os que o receberam quando lhes foi dado.

Foi com bondade evidente que as riquezas da graça de Deus foram derramadas sobre nós. Chamados à eternidade, não somos apenas sustentados pelo exemplo do passado, mas vimos aparecer a própria Verdade sob forma visível e corpórea. Assim, pois, celebremos o dia do nascimento do Senhor com uma alegria fervorosa que não é deste mundo. […] Graças à luz do Espírito Santo, saibamos reconhecer Aquele que nos recebeu nele e que nós recebemos em nós; porque, tal como o Senhor Jesus tomou a nossa carne nascendo, também nós tomamos o seu corpo renascendo. […] Deus propôs-nos o exemplo da sua generosidade e humildade […]; sejamos semelhantes ao Senhor na sua humildade, se queremos ser como Ele na sua glória. Ele próprio nos ajudará e nos conduzirá à realização do que prometeu.


São Leão Magno (?-c. 461)
3.º Sermão para o Natal
Fonte: Evangelho Cotidiano

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