Por intermédio de sua mãe, os filhos de Zebedeu fazem ao Mestre este pedido, na presença dos companheiros : «Ordena que nos sentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda». […] Cristo apressa-Se a tirar-lhes as ilusões, dizendo-lhes que devem estar prontos a sofrer injúrias, perseguições e mesmo a morte: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Que ninguém se espante por ver os apóstolos presa de tão imperfeitas inclinações. Espera que o mistério da cruz seja cumprido, que a força do Espírito Santo lhes seja comunicada. Se queres ver a sua força de alma, observa-os mais tarde, e vê-los-ás superiores a todas as fragilidades humanas. Cristo não esconde as suas fraquezas, para que tu vejas aquilo em que depois se hão de tornar, pela força da graça que os há de transformar […].

«Não sabeis o que estais a pedir». Não sabeis quão grande e prodigiosa é essa honra. Sentar-se à minha direita? Isso ultrapassa os próprios poderes angélicos. «Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Falais-Me de tronos e de diademas insignificantes; Eu falo-vos de combates e de sofrimentos. Não é agora que receberei a minha realeza; ainda não chegou a hora da glória. Para Mim e para os meus, é tempo de violência, de combates e de perigos.

Repara que Ele não lhes pergunta diretamente: «Tereis coragem para derramar o vosso sangue?» Para os encorajar, propõe-lhes que partilhem o seu cálice, que vivam em comunhão com Ele […]. Mais tarde, verás São João, o mesmo que agora deseja o primeiro lugar, ceder a presidência a São Pedro […]. Quanto a Tiago, o seu apostolado não durou muito tempo. Ardente de fervor, desprezando por completo os interesses meramente humanos, com seu zelo, mereceu ser o primeiro mártir de entre os apóstolos (cf At 12,2).


São João Crisóstomo (c. 345-407)
Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, n.º 65, 2-4; PG 58, 619
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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