Em todas as obras de verdadeira e perfeita caridade de que vos falo, não há nada que tenha de ser feito com as mãos ou os pés; ninguém pode, pois, argumentar que é incapaz ou que está doente. […] Ninguém poderá apresentar desculpas plausíveis para dizer que não é capaz de pôr estes conselhos em prática. Pois ninguém vos diz: «Jejua mais do que podes, permanece acordado toda a noite sem teres forças para tal» […]; ninguém te obriga a vender todos os teus bens para os dares aos pobres, nem a permaneceres virgem. […] Aquele que pode fazer tudo isto deve dar graças a Deus. E se aquele que não pode fazê-lo mantiver uma caridade verdadeira, possuirá tudo, porque o amor basta, mesmo sem todas aquelas boas obras. Pelo contrário, sem o amor, estas boas obras de nada servem. É por isso que vos digo e redigo tudo isto, irmãos caríssimos, para que possais compreender cada vez melhor que ninguém pode afirmar que não é capaz de cumprir os mandamentos de Deus. […]

Mantende, pois, a doce e salutar ligação do amor, sem a qual o rico é pobre e com a qual o pobre é rico. O que possui um rico que não tenha caridade? […] E, uma vez que, como afirma o evangelista, «Deus é amor» (1Jo 4,8), que poderá faltar ao pobre, se tiver caridade e merecer possuir a Deus? […] Amai, pois, irmãos caríssimos, e mantende a caridade, sem a qual ninguém verá jamais a Deus


São Cesário de Arles (470-543)
Sermões ao povo, n.º 23; SC 243
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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