Um irmão que tinha pecado foi expulso da igreja pelo padre; o abba Bessarion levantou-se e saiu com ele, dizendo: «Eu também sou pecador» […]

Um irmão pecou uma vez em Cétia. Realizou-se um conselho, para o qual convocaram o abba Moisés. Mas este recusou-se a vir. Então o padre mandou dizer-lhe: «Vem, porque estão todos à tua espera». Ele levantou-se e apareceu com um cesto cheio de buracos, que enchera de areia e trazia às costas. Os outros, vindo ao seu encontro, perguntaram-lhe: «O que é isso, padre?» O velho respondeu: «Os meus pecados escoam atrás de mim e eu venho aqui hoje para julgar os pecados de outros?» Ouvindo isto, eles não disseram nada ao irmão, mas perdoaram-lhe.

O abba Joseph pediu ao abba Poemen: «Diz-me como hei de tornar-me monge?» O velho respondeu-lhe: «Se quiseres encontrar tranquilidade aqui e no mundo que há de vir, diz em todas as ocasiões: Quem sou eu? E não julgues ninguém».

Um irmão perguntou ao abba Poemen: «Se vir um pecado do meu irmão, é correto escondê-lo?» O velho respondeu-lhe: «Quando escondemos os pecados dos nossos irmãos, também Deus esconde os nossos, e quando expomos os pecados dos nossos irmãos, também Ele expõe os nossos».

Ditos dos Padres do Deserto (séculos IV e V)
Coleção sistemática, cap. 9; SC 387
Fonte: Evangelho Cotidiano

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