Olhando para a promessa de Deus e ignorando qualquer perspetiva humana, sabendo que Deus é capaz de obras que ultrapassam a natureza, Abraão confiou nas palavras que lhe tinham sido dirigidas, não guardou nenhuma dúvida no seu espírito e não hesitou sobre o sentido que devia dar às palavras de Deus. Porque é próprio da fé confiar no poder daquele que nos fez uma promessa. […] Deus tinha prometido a Abraão que dele nasceria uma descendência incontável. Esta promessa ultrapassava as possibilidades da natureza e as perspetivas puramente humanas; por isso é que a fé que ele tinha em Deus «lhe foi contada como justiça» (Gn 15,6; Gal 3,6).

Pois bem, se formos vigilantes, veremos que nos foram feitas promessas ainda mais maravilhosas e receberemos uma recompensa muito superior ao que pode sonhar o pensamento humano. Para isso, temos apenas de confiar no poder daquele que nos fez essas promessas, a fim de merecermos a justificação que vem da fé e de obtermos os bens prometidos. Porque esses bens que esperamos ultrapassam toda a concepção humana e todo o pensamento, de tal forma é magnífico o que nos foi prometido!

Com efeito, essas promessas não dizem respeito apenas ao presente, à realização plena das nossas vidas e ao gozo dos bens visíveis; dizem também respeito ao tempo em que tivermos deixado esta Terra, quando os nossos corpos tiverem sido sujeitos à corrupção, quando os nossos restos mortais forem reduzidos a pó. Deus prometeu-nos que então nos ressuscitará e nos estabelecerá numa glória magnífica; «porque é preciso», assegura-nos São Paulo, «que o nosso ser corruptível se revista de incorruptibilidade, que o nosso ser mortal se revista de imortalidade» (1Cor 15,53). Além disso, depois da ressurreição do nosso corpo, recebemos a promessa de gozarmos do reino e de beneficiarmos durante séculos sem fim, na companhia dos santos, desses bens inefáveis que «os olhos do homem não viram, que o seu ouvido não ouviu e que o seu coração é incapaz de sondar» (1Cor 2,9). Vês a superabundância das promessas? Vês a grandeza destes dons?


São João Crisóstomo (c. 345-407)
36.ª homilia sobre o Gênesis
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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