O que será a vinda de Cristo? A libertação da escravatura e a rejeição das antigas cadeias, o começo da liberdade e a honra da adoção, a fonte da remissão dos pecados e a vida verdadeiramente imortal para todos. Sendo o Verbo, Palavra de Deus, viu-nos do alto tiranizados pela morte, enganados, atados pelos laços da decadência, levados por um caminho sem retorno, e veio tomar a natureza de Adão, o primeiro homem, segundo o desígnio do Pai. Ele não confiou aos anjos nem aos arcanjos a responsabilidade da nossa salvação, mas tomou a Seu cargo todo o combate por nós, obedecendo às ordens do Pai. […] Reunindo e condensando em Si toda a grandeza da Sua divindade veio com a medida que quis […]; pelo poder do Pai não perdeu o que tinha mas, tomando o que não tinha, veio com as devidas limitações. […]

Repara que Ele é o Senhor: «Disse o Senhor ao meu Senhor, senta-te à Minha direita» (Sl 109,1). […] Vê que Ele é Filho: «Ele Me invocará, dizendo: ‘Tu és Meu Pai’, […] e Eu farei d’Ele o Primogênito» (Sl 88,27-28). […] Observa também que Ele é Deus: «Os poderosos virão e prostrar-se-ão diante de Ti e Te suplicarão porque Deus está contigo» (cf Is 45,14). […] Observa que Ele é o Rei eterno: «Um cetro de justiça é o Teu cetro real. […] Deus, o Teu Deus, Te ungiu com o óleo da alegria» (Sl 44,7-8) […]. Vê que Ele é Senhor das dominações: «Quem é Ele, esse rei glorioso? É o Senhor do universo! É Ele o rei glorioso» (Sl 23,10) […] Repara também que Ele é sumo sacerdote eterno: «Tu és sacerdote para sempre» (Sl 109,4). Mas se Ele é Senhor e Deus, Filho e rei, Senhor e sumo sacerdote eterno, quando assim entendeu «tornou-Se homem também: quem poderá compreendê-lo?» (Jr 17,9 LXX) […].

Foi mesmo como homem e Deus que este grande Jesus veio morar entre nós. […] Revestiu-Se do nosso corpo miserável e morto; […] curou-os das suas enfermidades, sarou cada uma das nossas doenças com o Seu poder para que se cumprisse a palavra: «Eu sou o Senhor. […] Tomei-Te pela mão e fortaleci-Te. […] Senhor é o Meu nome. […] E o último inimigo a ser destruído será a morte. […] Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (cf Is 42,6; 1Co 15,26.55)

Uma homilia grega do séc. IV
Sobre a Santa Páscoa 44-48; PG 59, 743
(inspirada numa homilia perdida de Santo Hipólito)
Fonte: Evangelho Cotidiano

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