O Salvador está sempre e totalmente presente aos que vivem nele: provê a toda necessidade deles, é todo para eles e não permite que dirijam o olhar para nenhum outro objeto, nem que busquem coisa alguma fora dele.

Com efeito, não há nada de que tenham necessidade os santos, a não ser ele: ele os gera, os faz crescer e os alimenta, é luz e respiração, por si plasma neles o olhar, o ilumina por meio de si e enfim se oferece a si mesmo à visão deles. Ao mesmo tempo nutre e é alimento; é ele que concede o pão da vida, e o que ele concede é a si mesmo; é a vida dos viventes, o perfume de quem respira, a veste para quem quer vesti-Ia.

E ainda ele que nos concede poder caminhar e é o caminho, e também o lugar de repouso e a meta. Nós somos os membros, ele a cabeça. É preciso combater? Ele combate conosco e é ele que dá a vitória a quem se fez honra. Vencemos? Pois é ele a coroa. Assim de toda parte reconduz a si a nossa mente e não permite que se dirija a nenhum outro, nem que seja tomada de amor por em outra coisa. Se voltarmos o desejo numa direção, ele o detém e o sacia; se em outra, de novo; se numa outra ainda, é sempre ele que ocupa também esse caminho e segura quem passa.

“Se subo aos céus, tu lá estás; se me deito no Xeol, aí te encontro. Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é tua mão que me conduz, e tua mão direita me sustenta” (SI 139,8-10).

Com certa maravilhosa violência, com tirania amiga, a si só nos atrai, a si só nos une.

É esta, creio eu, aquela violência com a qual obriga os convidados a entrar na sua casa e ao seu banquete, dizendo ao servo: “Obriga-os a entrar, até que esteja cheia a minha casa” (Lc 14,13)2.

S. Nicolas Cabasilas (1320-1363), teólogo grego,
A vida em Cristo, I, lI. Trad. it. cit., UTET, pp. 72-74.
Fonte:
Evangelho Cotidiano

 

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