Deus, Senhor e Criador do universo, que fez todas as coisas e as dispôs ordenadamente, não só Se mostrou amigo dos homens, mas também paciente. Ele sempre foi assim, continua a sê-lo e sê-lo-á: clemente, bom, manso e verdadeiro. Só Ele é bom. Tendo concebido o seu desígnio de inefável grandeza, comunicou-o somente ao Filho. Enquanto o mantinha no mistério e guardava a sua sábia vontade, parecia esquecer-Se de nós, não pensar em nós. Todavia, quando, por meio de seu Filho amado, revelou e manifestou o que tinha estabelecido desde o princípio, concedeu-nos por junto todas as coisas: não só participar dos seus benefícios, mas ver e compreender coisas que nenhum de nós teria jamais esperado.

Deus tinha, pois, disposto já tudo com seu Filho; mas, até aos últimos tempos, permitiu que nos deixássemos levar pelas nossas inclinações desordenadas, arrastados pelos prazeres e pelas paixões. Não que Ele Se compraza nos nossos pecados; apenas tolerava esse tempo em que o mal campeava, sem nele consentir, preparando assim o atual reinado da justiça. Durante aquele período, as nossas próprias obras mostravam que éramos indignos da vida; tornámo-nos agora dignos, como resultado da bondade de Deus. Éramos incapazes de aceder por nós próprios ao Reino de Deus; mas o seu poder tornou-nos capazes. […] Deus não nos odiou nem nos repudiou, não nos guardou rancor, mas teve paciência e suportou-nos.


Carta a Diogneto (c. 200)
Capítulos 8-9
Fonte: Evangelizo.org

 
 

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