A Árvore da Vida é o amor de Deus. Adão perdeu-o na sua queda e nunca mais encontrou a alegria mas, pelo contrário, trabalhava e penava numa terra cheia de espinhos (Gn 3,18). Aqueles que estão privados do amor de Deus comem o pão do seu suor (Gn 3,19) em todas as suas obras, ainda que sigam um caminho recto; foi esse o pão que foi dado a comer à primeira criatura após a queda. Até que encontremos o amor, o nosso trabalho é aí, na terra dos espinhos…; seja qual for o grau da nossa justiça pessoal, é com o suor do nosso rosto que vivemos.

Mas, quando encontrámos o amor, alimentamo-nos do pão celestial e somos reconfortados para além de qualquer obra e de qualquer pena. O pão celestial é Cristo, que desceu do céu e deu a vida ao mundo. É esse o alimento dos anjos (Sl 77,25). Aquele que encontrou o amor alimenta-se de Cristo cada dia e a toda a hora e torna-se imortal. Porque Ele disse: “Quem come o pão que eu lhe der não verá a morte”. Feliz aquele que come o pão de amor, que é Jesus. Porque quem se alimenta do amor, alimenta-se de Cristo, do Deus que domina o universo, Aquele de quem João testemunha, dizendo: “Deus é amor” (1 Jo 4,8).

Portanto, o que vive no amor recebe de Deus o fruto da vida. Respira neste mundo o próprio ar da ressurreição, esse ar que faz as delícias dos justos ressuscitados. O amor é o Reino. Foi dele que o Senhor ordenou misteriosamente aos apóstolos que se alimentassem; “comer e beber na mesa do meu Reino” (Lc 22,30), que é isso senão o amor? Porque o amor é capaz de alimentar o homem em vez de qualquer outro alimento e bebida. É esse “o vinho que alegra o coração do homem” (Sl 104,16); feliz aquele que bebe de tal vinho.

Santo Isaac, o Sírio (séc. VII)
monge em Nínive, perto de Mossul, no atual Iraque
Discursos ascéticos, 1ª série, nº 72
Fonte: Evangelho Cotidiano

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