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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Sábado, 30 de novembro de 2019:
 
 
 

Santo Apóstolo André, de Betsaida -
«o Primeiro Chamado» († 62)

Ofício de VÉSPERAS

Hinos litúrgicos

I

Tu que havias escutado a voz do Precursor,
quando o Verbo santíssimo se encarnou
para dar-nos o dom da vida
e para trazer na terra a boa nova da salvação,
tendo-o seguido,
a ele te consagraste como primícia santa
e primeiro dos seus frutos;
tendo-o reconhecido,
revelaste ao teu irmão o nosso Deus:
suplica-lhe que salve e ilumine as nossas almas.

II

Tendo deixado de pescar peixes,
pescaste os homens com o caniço da pregação e o anzol da fé,
ilustre Apóstolo que repescaste do abismo do erro
o conjunto das nações.
Tu, ó André, irmão do Corifeu,
cuja voz ressoa para instruir o mundo inteiro,
não deixes de interceder por nós, que fielmente celebramos
com coração aberto a tua sagrada memória.

III

Tendo visto caminhar sobre a terra o Deus que amavas,
tu, "primeiro-chamado" entre as testemunhas oculares,
cheio de júbilo gritaste a teu irmão:
Simão, encontramos aquele que nós amamos;
em seguida dirigiste ao Salvador as palavras de Davi:
como a corça ansiando por águas correntes,
assim minha alma está ansiando por ti, ó Cristo, nosso Deus!
E, tendo-o amado sempre mais, o alcançaste sobre a cruz,
como verdadeiro discípulo imitando a sua paixão;
consorte com ele na glória,
suplica-lhe com fervor por nossas almas.

LEITURAS BÍBLICAS

  • 1 Pd 1, 1-2, 6 (1ª leitura);
  • 1 Pd 2, 21-3, 9 (2ª leitura);
  • 1 Pd 4, 1-11 (3ª leitura).

Matinas

Hinos litúrgicos

I

Ó sábio André, divino protetor,
conservador e libertador de todo mal,
a cidade de Patras, que te possui como pastor,
te dá graças e te venera.
Intercede sem cessar para que seja salva.

II

Alegra-te, Betsaida,
pois em ti floresceram, como de um místico jardim,
Pedro e André, os dois lírios,
cujo suave perfume difundiu-se no mundo inteiro
pela pregação da fé e pela ajuda da graça de Cristo,
à qual estiveram unidos também na paixão."

EVANGELHO

[MT 4: 18-23]

Evangelho de Jesus † Cristo, segundo o evangelista São Mateus.

aquele tempo, estando Jesus a caminhar junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: "Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens". Eles, deixando imediatamente as redes, o seguiram. Continuando a caminhar, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com o pai Zebedeu , a consertar as redes. E os chamou. Eles, deixando imediatamente o barco e o pai, o seguiram. Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando toda e qualquer doença ou enfermidade do povo.

Divina Liturgia

Tropário da Festa (Modo 4º)

Ó glorioso santo André,
primeiro chamado dentre os apóstolos:
como irmão de Pedro, o Corifeu,
implora ao Senhor a paz ao mundo
e às nossas almas, a grande misericórdia.

(Em grego)

 

Ὡς τῶν Ἀποστόλων Πρωτόκλητος,
καὶ τοῦ Κορυφαίου αὐτάδελφος,
τὸν Δεσπότην τῶν ὅλων Ἀνδρέα ἱκέτευε,
εἰρήνην τὴ οἰκουμένη δωρήσασθαι,
καὶ ταὶς ψυχαὶς ἡμῶν τὸ μέγα ἔλεος.

Kondakion

Eia! veneramos o Apóstolo André,
cuja fortaleza de ânimo é grande!
Ele é irmão de Pedro, e o primeiro chamado pelo Salvador.
Ele, hoje nos repete, quanto um dia falou a Pedro:
vinde, nós encontramos o Desejado entre as nações!

Prokímenon

Por toda a terra espalhou-se a sua voz,
e até os confins do mundo foram as suas palavras.

Os céus narram a glória de Deus
e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.

EPÍSTOLA

[1COR 4: 9-16]

Primeira Epístola do Santo apóstolo paulo aos Coríntios

rmãos, Julgo que Deus nos expôs, a nós, apóstolos, em último lugar, como condenados à morte: fomos dados em espetáculo/ ao mundo, aos anjos e aos homens. Somos loucos por causa de Cristo, vós, porém, sois prudentes em Cristo; somos fracos, vós, porém, sois fortes; vós sois bem considerados, nós, porém, somos desprezados. Até o momento presente ainda sofremos fome, sede e nudez; somos maltratados, não temos morada certa e fatigamo-nos trabalhando com as próprias mãos. Somos amaldiçoados, e bendizemos; somos perseguidos, e suportamos; somos caluniados, e consolamos. Até o presente somos considerados como o lixo do mundo, a escória do universo. Não vos escrevo tais coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar como a filhos bem-amados. Com efeito, ainda que tivésseis dez mil pedagogos em Cristo, não teríeis muitos pais, pois fui eu quem pelo Evangelho vos gerou em Cristo Jesus. Exorto-vos, portanto: sede meus imitadores.

Aleluia

Os céus publicarão as tuas maravilhas, Senhor
e a tua verdade, na assembléia dos santos (Sl 19,4).

Deus é glorificado na assembléia dos santos, 
grande e terrível sobre todos os que o cercam (Sl 19,1)

EVANGELHO

[JO 1: 35-52 ]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o evangelista São João.

aquele tempo, No dia seguinte, João se achava lá de novo, com dois de seus discípulos. Ao ver Jesus que passava, disse: "Eis o Cordeiro de Deus". Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Jesus voltou-se e, vendo que eles o seguiam, disse-lhes: "Que procurais?" Disseram-lhe: "Rabi (que, traduzido, significa Mestre), onde moras?'' Disse-lhes: "Vinde e vede". Então eles foram e viram onde morava, e permaneceram com ele aquele dia. Era a hora décima, aproximadamente. André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. Encontra primeiramente seu próprio irmão Simão e lhe diz: "Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo)". Ele o conduziu a Jesus. Fitando-o, disse-lhe Jesus: "Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas" (que quer dizer Pedra). No dia seguinte, Jesus resolveu partir para a Galileia e encontrou Filipe. Jesus lhe disse: "Segue-me". Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro. Filipe encontra Natanel e lhe diz: "Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, o filho de José, de Nazaré". Perguntou-lhe Natanel: "De Nazaré pode sair algo de bom?" Filipe lhe disse: "Vem e vê". Jesus viu Natanel vindo até ele e disse a seu respeito: "Eis verdadeiramente um israelita em quem não há fraude". Natanel lhe disse: "De onde me conheces?" Respondeu-lhe Jesus: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira". Então Natanel exclamou: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel". Jesus lhe respondeu: "Crês, só porque te disse: 'Eu te vi sob a figueira'? Verás coisas maiores do que essas". E lhe disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem".

Hinos litúrgicos do Cânon de Santo André

I

Tendo recebido a força do Espírito
sob forma de línguas de fogo,
tu te tornaste homem inspirado por Deus,
familiar dos celestes resplendores
para depois revelar-nos inefáveis ensinamentos.

II

Apóstolo de Cristo,
tendo aspirado o fogo do Espírito santíssimo,
em línguas novas nunca por ti faladas,
recebeste a ordem de anunciar
as maravilhas de Deus até os confins do mundo.

III

Com a mesma paixão do Senhor
foste glorificado, santo e sábio André.
Na cruz encontraste, de fato, o teu fim em Deus
e estás em comunhão com ele.
Nós te pedimos, pois, que intercedas por nós"

Outro Hino da Liturgia Bizantina

Honremos com hinos o Primeiro-chamado,
o irmão de Pedro, o discípulo de Cristo,
pescador de peixes e de homens, o apóstolo André
que a todos fez conhecer os ensinamentos de Jesus.
Assim como se joga uma isca aos peixes,
ele ofereceu o seu corpo aos ímpios
e prendeu-os em suas redes.
Por suas preces, ó Cristo, nosso Deus,
concede ao teu povo a paz e a graça da salvação.

 

Santo André, o «Primeiro-chamado»

relato do Evangelho de hoje indica-nos como Jesus se faz encontrar por aqueles que O buscam. Trata-se do encaminhamento de dois dos discípulos do Batista que o deixam para seguir Jesus que, respondendo à sua busca, os convida a «vir e ver.» Jesus é a resposta de Deus a uma busca do Homem, como no AT a Sabedoria que «se deixa encontrar pelos que a buscam.»

André deixa João Batista para seguir Jesus; André significa «humano»; as pessoas se tornam humanas quando se encontram com Jesus. André encontra seu irmão, Simão Pedro e testemunha ter encontrado o Messias. É a dinâmica do testemunho que vai provocando a adesão a Jesus.

O Evangelho diz que André encontrou «primeiro» o seu próprio irmão, sinal de que encontrou depois outras pessoas. O importante é perceber que Jesus vai sendo conhecido através daqueles que O testemunham.

Com inegável arte literária, João evoca diante de nossos olhos o homem que busca o Deus da Salvação.

Pelo testemunho do Batista O vislumbra no Cordeiro de Deus. Porém ainda não penetra em seu mistério; quer saber onde é sua morada. Jesus convida o que busca a «vir e ver»: «Vir» significa o passo da fé; «ver» significa adesão da fé. Finalmente os discípulos permanecem com Ele. «Permanecer» ou »morar» significa a união vital permanente com Jesus.

Os que foram a procura do mistério do Salvador e Revelador acabaram sendo convidados e iniciados por Ele. Um encontro como este ultrapassa o que encontra, levando-o a querer unir consigo os que estão a procura, como ele.

Um dos dois que encontraram o Procurado, André, vai chamar seu irmão, Simão para compartilhar sua descoberta. Este se deixa conduzir até o Senhor que, de início, muda seu nome para Cefas que quer dizer «rocha», «pedra», e lhe dá uma nova identidade. Na continuação do episódio encontramos uma reação em cadeia: vemos primeiro o Batista introduzir seus discípulos a Jesus e, em seguida os discípulos procuram outros candidatos.

Todos estes ricos e densos aspectos do desenrolar deste episódio revelam a experiência transformadora da conversão: da inquietação frente à crise de sentido de um mundo sem Deus, ao discernimento da voz que anuncia esta Presença que está entre nós; o reconhecimento, - recuperação da Memória - a nova identidade (Cefas/Pedro) e o impulso a testemunhar esta experiência do Encontro.


Referências:

 

André, «Primeiro-chamado», primeiro a testemunhar

Santo André, depois de ter ficado com Jesus (Jo 1,39) e de ter aprendido muito, não guardou esse tesouro só para si: apressa-se a correr para junto de seu irmão Simão-Pedro para o fazer participar dos bens que ele próprio recebeu. Ouve o que ele diz ao irmão: "Encontramos o Messias, quer dizer, o Cristo" (Jo, 1,41).

Estás a ver o fruto do que acabava de aprender em tão pouco tempo? Isso demonstra ao mesmo tempo a autoridade do Mestre que ensinou os discípulos e, desde o início, o seu zelo para o conhecerem.

A pressa de André, o seu zelo em espalhar logo de seguida esta tão boa nova, supõe uma alma que ansiava por ver o cumprimento de tantas profecias respeitantes a Cristo. Partilhar assim estas riquezas espirituais foi mostrar uma amizade verdadeiramente fraterna, uma afeição profunda e um temperamento cheio de sinceridade... «Nós o encontramos, ao Messias, diz ele, não um messias qualquer, mas o Messias que esperávamos.»

O «primeiro» discípulo do Senhor

André foi o primeiro a reconhecer o Senhor como seu mestre... O seu olhar percebeu a vinda do Senhor e deixou os ensinamentos de João Batista para entrar na escola de Cristo... João Batista tinha dito: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem o acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre.

Levado por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e corre para quem ele anunciava..., levando consigo João, o evangelista. Ambos deixam a lâmpada (Jo 5,35) e caminham para o Sol... Tendo reconhecido o profeta de quem Moisés dissera: "É a ele que escutareis" (Dt 18,15), André conduz até ele o seu irmão Pedro. Mostra a Pedro o seu tesouro: "Encontramos o Messias (Jo 1,41), aquele que desejávamos; vem agora saborear a sua presença". Ainda antes de ser apóstolo, conduz a Cristo o irmão... Foi o seu primeiro milagre.

(...) André conhecia estas palavras de Moisés: «O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar» (Dt 18,15). Ouve agora João Batista exclamar: «Eis o Cordeiro de Deus» (Jo 1,29) e, ao vê-Lo, vem espontaneamente ter com Ele: reconheceu o profeta anunciado pela profecia, e leva seu irmão até junto daquele que encontrou, mostrando a Pedro o tesouro que este não conhecia: «Encontramos o Messias, Aquele que desejamos. Esperávamos a sua vinda; contemplemo-Lo agora. Encontramos Aquele por quem a portentosa voz dos profetas nos ordenava que esperássemos. O tempo presente trouxe-nos Aquele que a graça havia anunciado, Aquele que o amor esperava ver.»

André foi então ao encontro de seu irmão Simão e partilhou com ele o tesouro da sua contemplação, conduzindo Pedro até ao Senhor. Espantosa maravilha! André não é ainda discípulo, mas tornou-se já condutor de homens. É a ensinar que ele começa a aprender e que adquire a dignidade de apóstolo: «Encontramos o Messias. Depois de tantas noites passadas sem dormir nas margens do Jordão, encontramos agora o objeto dos nossos desejos.»

Pedro estava pronto para seguir este chamamento; o irmão de André avançou cheio de fervor e de ouvido atento […]. Quando, mais tarde, Pedro vier a ter uma conduta admirável, devê-la-á ao que André houvera semeado. Mas o louvor dado a um recai igualmente sobre o outro; porque os bens de um pertencem ao outro, e um glorifica-se nos bens do outro.

Dados hagiográficos

ndré foi o primeiro a ser chamado, portanto, o Protóclito (protos = primeiro + klitos = chamar). Recordemos como se deu este chamado: estava ele e seu irmão Cefas pela segunda vez na região do Jordão onde João Batista batizava, este exclamou: "Eis aí o cordeiro de Deus (Jo 1,36). Ouvindo estas palavras deixaram de seguir João Batista para acompanhar o próprio Cristo.

Jesus, voltando-se para atrás e vendo que o seguiam, disse-lhes: «Que buscais?» Eles disseram: «Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?» Disse-lhes Jesus: «vinde e vede». Foram, pois, e viram onde habitava e permaneceram lá aquele dia. Era quase a hora décima.

Ora, André tinha um irmão chamado Simão e disse-lhe: «Nós encontramos o Messias, que é o Cristo». E levou-o a Jesus, que olhando-o disse: «Tu és Simão, filho de Jonas, doravante chamar-te-ás Pedro».

Este é, segundo a narrativa de São João, o primeiro encontro de André com Jesus.

André e Pedro, contudo, não ficaram definitivamente com o Divino Mestre, mas voltaram às suas ocupações de pescadores. Dias depois, Jesus, passando pela praia do Lago de Tiberíades, pelas bandas de Cafarnaum, tendo-os encontrado quando lavavam as redes, disse-lhes: «Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens». Eles, deixando imediatamente as redes, o seguiram (Mt 4,18). Com estas palavras, deu-se o chamamento oficial de André como apóstolo junto com seu irmão Pedro.

Santo André

Nos catálogos oficiais que os evangelistas dão dos doze apóstolos, André ocupa sempre o segundo lugar, depois do irmão Pedro. Poucas menções expressas nos deixou o Evangelho deste apóstolo durante os três anos do seguimento a Cristo. A primeira deu-se por ocasião da multiplicação dos pães e peixes.

Quando Jesus interpelou Filipe sobre a possibilidade de dar de comer a toda aquela multidão, André interveio, dizendo: «Está aqui um menino que tem cinco pães e dois peixes; mas que é isto para tanta gente?» Jo 6,9).

Uma segunda intervenção de André deu-se nos últimos dias da vida do Mestre. Havia alguns gentios que desejavam ver Jesus de perto e se aproximaram de Filipe, dizendo: «Senhor, desejamos ver Jesus». Filipe foi dizer a André: e ambos disseram-no a Jesus.

Diz a Tradição que, por ocasião da partida dos apóstolos para levar o Evangelho pelo mundo, André viajou para a região dos mares Cáspio e Negro. Por último, fundou a igreja em Patras, na Acaia, que foi uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. Esta mesma fonte afirma ter Santo André morrido crucificado em Patras, na Acaia, no dia trinta de novembro. A ele está relacionada a Cruz de Santo André em forma de X. Ao vê-la, antes do suplício, teria dito o apóstolo:

«Salve santa Cruz, tão desejada,
tira-me do meio dos homens e entrega-me ao meu Mestre;
de ti receba O que por ti me salvou!»

Todos se admiravam da coragem e da alegria que se estampava no rosto do apóstolo mártir, quando se entregou aos algozes fixado à cruz, permanecendo dois dias nesta posição, orando, aconselhando e orientando aos seus. Uma piedosa mulher de nome Maximila retirou da cruz o corpo do apóstolo sepultando-o com muita honra.

Depois das perseguições romanas, as relíquias do santo foram transportadas para Constantinopla e, pelo ano 1460, transferidas para Amalfi e Roma. Mais recentemente, o Papa Paulo VI, desejando simbolizar a união de fraternidade com a Igreja Ortodoxa, devolveu as relíquias de Santo André à Igreja de Constantinopla.

Santo Apóstolo André

«Oh cruz há tanto tempo desejada, oferecida agora às aspirações da minha alma, venho a ti com gozo e confiança. Recebe‐me com alegria, a mim, discípulo daquele que pendeu em teus braços». Assim falava Santo André [segundo a tradição] vendo ao longe a cruz que fora erigida para o seu suplício. De onde vinham a este homem alegria e exaltação tão espantosas? De onde provinha tanta constância num ser tão frágil? De onde obtinha este homem uma alma tão espiritual, uma caridade tão fervorosa e uma vontade tão forte? Não julguemos que encontrava tão grande coragem em si próprio; era o dom perfeito que descia do Pai das luzes (Tgo 1,17), daquele que é o único que opera maravilhas. Era o Espírito Santo que vinha em auxílio da sua fraqueza, e que espalhava no seu coração um amor forte como a morte, e mesmo mais forte do que a morte (Ct 8,6).

Queira Deus que também nós participemos hoje nesse Espírito! Porque se agora o esforço da conversão nos é penoso, se velar em oração nos aborrece, é unicamente devido à nossa indigência espiritual. Se o Espírito Santo estivesse connosco, viria seguramente ajudar-nos na nossa fraqueza. O que fez por santo André face à cruz e à morte, fá-lo-ia também por nós: retirando ao labor da conversão o seu carácter penoso, torná-lo-ia desejável e mesmo delicioso. […] Irmãos, procuremos este Espírito, envidemos todos os nossos esforços para O possuir, ou possuí-Lo mais plenamente se O tivermos já. Porque «se alguém não tem o espírito de Cristo, não Lhe pertence» (Rom 8,9). «Nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus» (1Cor 2,12). […] Devemos pois tomar a nossa cruz com santo André, ou antes, com Aquele que ele seguiu, o Senhor, nosso Salvador. A causa da sua alegria era que, não só morria com Ele, mas como Ele, e que, unido tão intimamente à Sua morte, reinaria com Ele. […] Porque a nossa salvação está nesta cruz.

REFERÊNCIAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

 

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