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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas Domingo, 16 de Fevereiro de 2020: 
 
 
 

«Domingo do Filho Pródigo»

(17° do Evangelho de Lucas)

(2º Domingo do Triódion* Quaresmal - 9° antes da Páscoa - Modo 2)

Comemoração de S. Panfilio e companheiros
(Jeremias, Isaias e Daniel) mártires da Cesaréia (†309).

Matinas:

[MC 16: 1-8]

Evangelho

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo São Marcos.

aquele tempo, passado o sábado, Maria Magdala e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir o corpo. De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram túmulo ao nascer do sol. E diziam entre si: "Quem rolará a pedrada entrada do túmulo para nós'! E erguendo os olhos, viram que a pedra já fora removida. Ora, a pedra era muito grande. Tendo entrado no túmulo, elas viram um jovem sentado à direita vestido com uma túnica branca, e ficaram cheias de espanto. Ele, porém, disse: "Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Mas ide dizer aos discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis, como tinha dito:" Elas saíram e fugiram do túmulo, pois um temor e um estupor apossaram delas. E nada contaram a ninguém, pois tinham medo.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição (Modo 2º)

Quando desceste à morte, ó Vida imortal,
aniquilaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
todas as potências celestes exclamaram:
ó Cristo, nosso Deus, ó Autor da vida, glória a ti!

(Em grego)

Ότε κατήλθες προς τον θάνατον,
η ζωή η αθάνατος,
τότε τον άδην ενέκρωσας,
τη αστραπή της θεότητος,
ότε δε και τους τεθνεώτας,
εκ των καταχθόνιων ανέστησας,
πάσαι αι δυνάμεις των επουρανίων εκραύγαζον
Ζωοδότα Χριστέ, ο Θεός ημών, δόξα σοι.

 

Kondakion Próprio (Modo 3)

Quando abandonei com insensatez a glória paterna,
eu desperdicei no mal a fortuna que me deste.
Por isso, eu te clamo como o filho pródigo:
«Pequei contra Ti, ó Pai Misericordioso!
Recebe-me arrependido e faze-me um de teus servos!»

Prokimenon

Desça sobre nós, Senhor, a tua misericórdia
conforme nossa esperança em Ti.

Exultai, ó justos, no Senhor,
pois aos retos convém o louvor.

Epístola

[1COR 6: 12-20]

Primeira Epístola do Santo apóstolo Paulo aos Coríntios.

rmãos, “tudo me é permitido”, mas “nem tudo convém”. “Tudo me é permitido”, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma. Os alimentos são para ventre e o ventre para os alimentos, e Deus destruirá aqueles e este. Mas o corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei então s membros de Cristo para fazê-los membros de uma prostituta? Por certo, não! Não sabeis que aquele que se une a uma prostituta constitui com ela um só corpo? Pois está dito: Serão dois em uma só carne. Ao contrário, aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só espírito: Fugi da fornicação. Todo outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; aquele, porém, que se entrega à fornicação, peca contra o próprio corpo! Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que está em vós e que recebestes de Deus? ... e que, portanto, não pertenceis a vós mesmos? Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate; glorificai, portanto, Deus em vosso corpo.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Deus assegura a minha vitória
e me submete os meus adversários.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Salva maravilhosamente seu servo
e usa de misericórdia com seu ungido.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[LC 15: 11-32]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Lucas.

aquele tempo, Jesus contou esta parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: 'Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados '. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai viu-o, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho'. Mas o pai disse aos seus servos: 'Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde- lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois, este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!' E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa, ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: 'É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde'. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: 'Há tantos anos que te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado! Mas o pai lhe disse: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!'»

A Parábola do Filho Pródigo

a parábola do Filho Pródigo, o Senhor revela, de maneira forte e eloqüente, o perdão e a misericórdia de Deus, contextualizando personagens tão próximos em uma situação fácil de ser compreendida; por isso esta parábola é uma das mais conhecidas e meditadas pelos cristãos. Com muita freqüência é o texto mais lido no tempo da Grande Quaresma da Igreja.

A parábola mostra a imensa misericórdia de Deus para com o homem pecador, mas também as disposições do pecador para encontrar a misericórdia. Deus é misericórdia, mas não invade a liberdade de seus filhos.

A misericórdia Divina é diferente da do homem.

«Os homens exercem a misericórdia na medida que podem. Em troca recebem-na de Deus de maneira copiosa. Pois não há comparação entre a misericórdia humana e divina. Entre elas há uma grande distância.»

(S. João Crisóstomo)

Jesus dá inicio a uma reveladora face do Pai que está pronto a perdoar. João Batista, preparava o povo insistindo que houvesse o arrependimento e a conversão, pois haveria um terrível juízo sobre a terra. No entanto, Jesus veio «não para condenar o mundo, mas para salvá-lo» e «veio não para os justos mas para os pecadores.» (Jo 12,47)

Os destinatários desta misericórdia são os pobres, os estrangeiros, os miseráveis e os repudiados pela sociedade, aqueles que eram tidos como os mais pecadores entre os filhos de Israel. Para Jesus, o filho pródigo está sempre sendo esperado para ser acolhido. Deus espera-nos como o pai da parábola, estendendo para nós os braços. Mas é necessário que lhe abramos o coração, que tenhamos saudades do lar paterno, que nos maravilhemos e nos alegremos perante o dom que nos fez seus filhos. É preciso que nos deixemos, aconchegar pelo abraço misericordioso do Pai.

«Não podemos conhecer a Deus segundo sua grandeza, mas podemos conhece-Lo segundo seu amor e sua misericórdia. O amor é identificado pela gratuita filiação e a misericórdia revela-se pelo ininterrupto perdão que nos é oferecido a cada queda.»

(Santo Irineu)

A vida humana é um constante voltar à casa do nosso Pai, pois somos pecadores e necessitamos deste retorno. «Levantar-me-ei e irei ter com meu pai... E lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.» (Lc 15,18)

Quando tomamos a decisão de retornar a casa do Pai, movidos pelo arrependimento, damos o primeiro passo para alcançar o perdão que nos é oferecido. A certeza deste perdão, só a teremos quando já estivermos dentro dos limites territoriais da casa. O perdão sacramental, que é a certeza absoluta do perdão divino, é dado quando já estivermos com nossos pés em solo familiar, isto é, na comunidade eclesial.

«Senhor misericordioso,
recebe a confissão do teu servo
e não leves em consideração os seus pecados,
mas o arrependimento e a contrição de seu coração
absolve suas culpas e apaga suas iniqüidades,
pois, Tu disseste, ó Senhor:
«não desejo a morte do pecador,
mas que se converta e viva»;
e, também: que os pecados devem ser perdoados
até setenta vezes sete.
Tu, de majestade incomparável e misericórdia infinita,
se te fixares em cada transgressão à tua Lei,
quem poderia subsistir?
Pois, Tu és o Deus dos que se arrependem
e nós te glorificamos, Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.»

(Oração do rito bizantino da Penitência).

A revelação que Jesus nos trouxe, mostrando um Pai que perdoa, tem sua continuidade na Igreja, através do sacramento da Reconciliação. «Tudo quanto ligares na terra será ligado no céu.»

O perdão divino continua a ser exercido na Igreja por iniciativa e vontade de Deus e pelo poder que lhe deu o próprio Cristo.

«A Igreja, corpo místico do Ressuscitado, abraça todos os filhos pródigos que voltam à casa paterna, oferecendo-lhes a roupa nova da reconciliação, o anel da filiação e a dignidade de sentar-se à mesa do Cordeiro.»

(S. Agostinho de Hipona)

Participando das riquezas da casa paterna, mas desejando uma completa independência, o mais novo dos filhos achou melhor dirigir sua própria vida, apossando-se do dinheiro que lhe pertencia, gastando com festas, amizades e alegrias vãs. O pecado do filho mais novo, não foi sair de casa, nem tomar a herança que legalmente era sua. O erro consistiu em gastar a sua herança, desfrutando de prazeres mundanos, desprezando sua família, pois achava que ela não tinha mais nada a lhe oferecer. Ele queria ser seu próprio senhor e se transformou em escravo. Ele desejava a liberdade e se transformou em prisioneiro das paixões mundanas. Quando o homem se deixa iludir pelas tentações, toma decisões equivocadas, pois seu coração se enche de orgulho e vaidade.

A permanência do filho mais velho na casa de seu pai, no entanto, não lhe dava garantia de que seu coração fosse bom. Não bastou permanecer na casa do Pai para ser digno de participar do Banquete; era preciso saber perdoar. Não bastou nada ter feito de reprovável; era necessário esperar e desejar a volta daqueles que se afastaram. A Igreja não é a Comunidade daqueles que não erram, dos que não caem. Ela é a casa dos pecadores que se reconciliam com o Pai. È a casa daqueles que sentem imensa alegria em acolher os que retornam à convivência dos irmãos.

«Alegrai-vos comigo,
pois teu irmão estava morto e reviveu;
estava perdido e foi achado.»

(Lc 15,32)

A alegria é uma característica do cristão, uma vez que nossa fé está alicerçada na Ressurreição de Jesus. Esta alegria é sinônimo de júbilo quando vemos que um irmão se reconcilia com o outro e quando nos reconciliamos com Deus, através do sincero arrependimento, pela sacramento da Confissão.

Sabemos o quanto este Sacramento, nos dias atuais, não é devidamente procurado por nós cristãos. A Igreja Bizantina empenha-se, principalmente neste tempo de preparação para a Páscoa, em proclamar o valor e a eficácia do sacramento da Reconciliação na vida dos fiéis. "É um verdadeiro tesouro da Igreja", diz-nos São João Damasceno. Tesouro este que deve ser redescoberto.

O segundo domingo do «Triodion Quaresmal» nos relembra a face misericordiosa de Deus e da necessidade de nosso arrependimento para que possamos ser merecedores desta Divina Misericórdia. Que saibamos, então, «trilhar os caminhos que nos levarão a alegria que nos reconciliar com Deus, por meio de orações e súplicas, pois Ele já está a caminho com seus braços abertos para nos acolher em seu divino coração.» (Santo Atanásio)


Fontes de Consulta:

GOMES, C. Folch, «Antologia dos Santos Padres». São Paulo: Ed. Paulinas. (3ª Ed.)
SCHOKEL, Luis Alonso «Bíblia do Peregrino - Novo Testamento». São Paulo: Ed. Paulus, 2000.

Homilia de S. E. R. Dom Siluan,
Arcebispo Ortodoxo Antioquino de Buenos Aires
e toda a Argentina

A alegria do retorno

«Eu vou me levantar e ir ao meu pai e dizer-lhe:
eu pequei contra o céu e contra você»

A Parábola do Filho Pródigo representa, na realidade, a história de cada um de nós: nossa aventura fora da casa paterna (por nossa ingratidão e infidelidade em nossa comunhão com Deus) e nosso retorno a ela, iniciando assim o caminho do nosso arrependimento. Nesse sentido, a parábola indica os vários estágios da queda e do arrependimento do filho pródigo, o que nos ajudará ao guiar-nos em nosso intento e esforço em retornar à casa de nosso Pai.

«Pai, dê-me a parte da propriedade que me cabe»: este filho alega arbitrariamente que tem direito a pedir a herança a priori, e que seu pai tem a obrigação de concedê-la. Sua reivindicação já indica a distância que tomou na relação com o seu pai. Acaso, não é essa a atitude da maioria dos adolescentes dos nossos dias?

«Ele partiu para uma terra distante»: deixou a casa de seu pai para se tornar independente. Já não tolerava a proximidade de seu pai. Talvez considerasse, como muitos outros, que a autoridade paterna fosse excessivamente tirânica.

«Começou a sentir necessidades»: o exercício arbitrário de sua liberdade levou-o a dissipar «toda a sua fazenda vivendo dissolutamente». O filho mais velho afirma que seu irmão «consumiu sua fortuna com prostitutas». Foi assim que perdeu absolutamente tudo e a fome fez-se sentir. Procurou trabalho e aceitou apascentar os porcos. Os porcos são considerados impuros, o que sugere que ele vivia no pecado.

«Caindo em si»: a pobreza e a fome levaram-no a tomar consciência de sua miserável situação. Agora, a atração que a riqueza, os prazeres e a devassidão exerciam sobre ele se dissiparam. É hora do auto-exame de consciência. Meditando sua atual miséria e solidão, recordando como vivia quando morava na casa de seu pai, lembrou-se dos bens anteriores e voltou a dar valor ao que inicialmente desprezava. O amor do pai exercia um poder magnético que atraiu o coração do filho pródigo. A recordação da pureza anterior era mais forte que a mancha atual. Por isso, o jovem suspirou: «Quantos empregados de meu pai tem pão em abundância, e eu aqui, morrendo de fome!»

«Levantando-se, ele dirigiu-se ao pai» : o filho pródigo tomou sua decisão; a hora de Deus já soou. Ele se libertou da atração do que estava fora da casa de seu pai. Ele se levantou da escravidão ao pecado, isto é, arrepender-se, e começou o caminho de volta para confessar o pecado dele ao pai. Somente aquele remorso e consciência não são suficientes; O arrependimento precisa de reconciliação: pedindo o perdão essencial daqueles que sofreram ferimentos.

REFERÊNCIAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

OBS.:

* Triódion é o tempo que abrange as 10 semanas de preparação para a Páscoa: três semanas antes da Quaresma e sete semanas de Quaresma. Esse tempo começa no Domingo do Publicano e do Fariseu e termina na tarde do Grande e Santo Sábado.

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