Muito haveria a dizer acerca da fé. Mas basta-nos lançar olhar sobre um dos modelos que o Antigo Testamento nos dá, Abraão, pois somos seus filhos pela fé. Ele não foi justificado só pelas obras, mas também pela fé: praticara muitas ações boas, mas só depois de ter dado prova da sua fé foi chamado amigo de Deus. As suas obras tornaram-se perfeitas pela sua fé. De fato, foi pela fé que deixou os seus pais; foi pela fé que deixou a sua pátria e a sua casa. Ora, da mesma forma que ele foi justificado, também tu te tornas justo. Com o passar do tempo, o seu corpo tornou-se incapaz de ser pai, porque era velho; Sara, a quem ele se unira, também já era idosa. Não tinham, pois, nenhuma esperança de ter descendência. Mas Deus anuncia a esse ancião que será pai, e a fé de Abraão não vacilou. Considerando que o seu corpo estava já próximo da morte, não teve em conta a sua incapacidade física, mas o poder daquele que prometera, pois julgou que aquele que lhe fizera tal promessa era digno de confiança. Foi assim que, de dois corpos já marcados de algum modo pela morte, nasceu um filho. […]

É o exemplo da fé de Abraão que nos torna a todos seus filhos. De que maneira? Os homens consideram inacreditável a ressurreição dos mortos, como é inacreditável que dois velhos, marcados já para a morte, possam gerar descendência. Mas quando nos anunciam a boa nova de Cristo, crucificado na cruz, morto e ressuscitado, acreditamos. É, pois, pela semelhança com a sua fé que entramos na filiação de Abraão. E então, com a fé, recebemos como ele o vaso espiritual, somos circuncidados no batismo pelo selo do Espírito Santo.


São Cirilo de Jerusalém (313-350),
Catequeses batismais, n.º 5 
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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