Na guerra contra os moabitas e os amonitas, Josué [que tem o mesmo nome que Jesus] «matou todos os seus reis ao fio da espada» (Js 11,12). Nós estávamos todos «sob o reino do pecado» (Rom 6,12); todos nós estávamos sujeitos ao reinado das más paixões. […] Em cada um de nós, no entanto, havia um rei particular que nele reinava e o dominava. Num era a avareza que ocupava o reino, noutro era o orgulho, noutro ainda, a mentira; um estava dominado pelos desejos carnais, outro vivia sob o reino da cólera. […] Havia, pois, em cada um de nós, um reino de pecado antes de termos fé.

Mas logo que Jesus veio, matou todos os reis que detinham em nós os reinos do pecado, ensinou-nos a matá-los todos e a não deixar escapar nenhum. Se mantivermos vivo um deles que seja, não poderemos pertencer ao exército de Jesus. […] É que o Senhor Jesus purificou-nos de toda a espécie de pecado; destruiu-os a todos. Com efeito, «todos nós éramos insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de uma série de cobiças, vivendo na malícia e no desejo, execráveis, odiando-nos uns aos outros» (Tt 3,3), com todo o gênero de pecados que se encontram nos homens antes de crerem. Há razão para dizer que Jesus matou todos os que saíram para fazer a guerra; pois não existe pecado tão grande que Jesus não consiga dominá-lo, Ele que é o Verbo e a «sabedoria de Deus« (1Cor 1,24). Ele triunfa sobre tudo, é vencedor de tudo.

Não acreditamos que somos limpos de todos os pecados quando vimos ao batismo? É o que diz o apóstolo Paulo, que, depois de ter enumerado toda a espécie de pecados, acrescenta: «eis o que éreis, mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo» (1Cor 6,11).


Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre Josué, n.º 15
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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