Não consigo ver a tua luz:
é demasiado brilhante para a minha vista.
E, no entanto,
tudo o que vejo é graças à tua luz que o distingo,
como os nossos olhos frágeis veem, graças ao sol, tudo o que avistam,
sem no entanto conseguirem olhar diretamente para o sol.

A minha inteligência fica impotente
perante a tua luz, que é demasiado brilhante.
Os olhos da minha alma são incapazes de a receber,
não suportando sequer permanecer muito tempo fixos nela.
O meu olhar fica ferido pelo seu brilho,
ultrapassado pela sua extensão;
perde-se na sua imensidão
e fica confundido perante a sua profundidade.

Ó luz soberana e inacessível!
Verdade total e feliz!
Quão longe estás de mim,
e no entanto eu estou tão perto de Ti!
Tu escapas quase inteiramente à minha vista,
enquanto eu estou inteiramente debaixo da tua vista.
Por todo o lado irradia a plenitude da tua presença,
e eu não consigo ver-Te.
É em Ti que ajo e que tenho a minha existência;
no entanto, não consigo chegar a Ti.
Tu estás em mim,
Tu és tudo ao meu redor;
contudo, não consigo alcançar-Te com o meu olhar.


Santo Anselmo (1033-1109)
«Proslogion», cap. 6
Evangelho Cotidiano

 
 

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