A meu ver, seria indigno afastarmo-nos da contemplação de Cristo, nem que fosse um momento. Quando a nossa vida começar a desviar-se deste objetivo divino, voltemos para ele os olhos do nosso coração e remetamos novamente para ele o olhar do nosso espírito. Tudo repousa no santuário profundo da alma; quando o demônio é dele expulso e o mal deixa de reinar, o reino de Deus estabelece-se em nós. Mas «o reino de Deus», escreve o evangelista, «não vem de maneira visível; […] porque o reino de Deus está no meio de vós».

Ora, em nós não pode haver senão ignorância ou conhecimento da verdade, amor do vício ou da virtude, pelos quais entregamos o reinado do nosso coração ao demônio ou a Cristo.

O apóstolo Paulo, por sua vez, descreve assim a natureza deste reino: «o Reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rom 14,17). Assim, pois, se o reino de Deus está dentro de nós e consiste em justiça, paz e alegria, quem permanece nestas virtudes está sem dúvida no reino de Deus. […] Elevemos o olhar da nossa alma para este reino, que é alegria sem fim.


São João Cassiano (c. 360-435)
Conferências, n.º 1
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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