Jesus disse no Evangelho: «As minhas ovelhas escutam a minha voz, Eu conheço-as, elas seguem-Me e Eu dou-lhes a vida eterna» (Jo 10,27). Um pouco antes, tinha dito: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem» (v. 9). Porque entra-se pela fé, mas sai-se da fé pela visão face a face; passando da crença à contemplação, encontraremos pastagens para o repouso eterno.

São pois as ovelhas do Senhor quem tem acesso às pastagens, porque aquele que sai na simplicidade de coração recebe em alimento uma erva sempre verde. E estas pastagens das ovelhas são as alegrias profundas de um paraíso sempre verdejante. A pastagem dos eleitos é o rosto de Deus presente, contemplado numa visão sem sombra; a alma sacia-se sem fim deste alimento de vida.

Nestas pastagens, os que escaparam à rede dos desejos deste mundo são cumulados eternamente. Ali, canta o coro dos anjos, ali são reunidos os habitantes dos céus. Ali, há uma festa alegre para os que regressam, depois dos seus trabalhos, de uma triste estadia no estrangeiro. Ali se encontram o coro dos profetas de olhos penetrantes, os doze apóstolos juízes, a armada vitoriosa dos inúmeros mártires, tanto mais felizes quanto foram aqui em baixo duramente afligidos. Nesse lugar, é recompensada a constância dos confessores da fé. Ali se encontram os homens fiéis a quem os prazeres deste mundo não puderam amolecer a força de alma, as santas mulheres que venceram toda a fragilidade ao mesmo tempo que a este mundo; ali estão as crianças que pela sua maneira de viver se elevaram acima dos seus anos, os anciãos que a idade não pôde enfraquecer aqui em baixo e que não perderam a força para trabalhar. Irmãos bem amados, ponhamo-nos em busca dessas pastagens, onde seremos felizes na companhia de tantos santos.


São Gregório Magno (c. 540-604),
Homilia 14 sobre o Evangelho
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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