«Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, […] resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1, 1-4).

Antigamente, entre os judeus, um grande número de pessoas presumia ter o dom da profecia, mas alguns eram falsos profetas. […] O mesmo se passou no tempo no Novo Testamento, em que muitos «empreenderam» escrever evangelhos, mas nem todos foram aceites. […] A palavra «empreenderam» contém uma acusação velada contra aqueles que, sem terem a graça do Espírito Santo, se lançaram na redação de evangelhos. Mateus, Marcos, João e Lucas não «empreenderam» escrever, mas, cheios do Espírito Santo, escreveram efetivamente os verdadeiros Evangelhos. […]

A Igreja tem, pois, quatro evangelhos; os hereges têm-nos em grande número. […] «Muitos empreenderam compor uma narração», mas apenas quatro evangelhos foram aprovados; e é desses que devemos retirar, para trazer à luz, aquilo em que é necessário crer sobre a pessoa do Nosso Senhor e Salvador. Sei que existe um evangelho a que chamam «segundo S. Tomé», outro «segundo Matias» e lemos ainda outros tantos para não fazermos figura de ignorantes diante daqueles que imaginam saber alguma coisa porque conhecem esses textos. Mas, em tudo isso, só aprovamos aquilo que a Igreja aprova: admitimos apenas quatro evangelhos. É isto que podemos dizer sobre o texto do prólogo de S. Lucas: «Muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram».


Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre São Lucas, n.º 1,1-2
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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